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PIRILAMPOS






PIRILAMPOS

A noite não tem Luar,
mas há os Pirilampos para luminar,
a clareira da mata, pra se poder meditar,
e um sonho, então se embalar,
numa Saudade doce que quer me abraçar,
fazendo o Coração dilatar,
mas é um sonho bom,
e então o Estado de Espírito vai  aplacar.

Marco Aurelio Tisi
( 31/01/2014 )

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Diário - 4ª página - Que eu saiba...





30 de janeiro


Querido Di, a pouco estava assistindo a um vídeo, com algumas poesias de Florbela Espanca, recitadas pelo talentosíssimo Miguel Falabela, e o poema "Amar" provocou-me bastante.



" Eu quero amar, amar perdidamente ! / Amar só por amar: Aqui... além... "

Amar é decisão
 o amor do outro, suposição

E como diz Fabrício Carpinejar: "Liberdade na vida é ter um amor para se prender"




" Quem disser que se pode amar alguém / Durante a vida inteira é porque mente!"

Hora de encarar o espelho 
"Espelho, espelho meu
  será que esse amor já pereceu?

" E se um dia hei-de-ser pó, cinza e nada / Que seja minha noite uma alvorada, "

Meu corpo pó 
minh'alma do ré mi
novo início, só.

Só me resta quantas vezes me perder, não esquecer de me achar.


Férias acabando, a partir de fevereiro te verei menos querido diário. 


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Impermanências...

voltaemeia ressinto
o frio na barriga
do tempo pueril
das voltas
nas tesourinhas, é

quando também
gravita em minha lembrança
o céu noturno da cúpula
em dias de ruas vazias

década utópica
de pequenos corpos
em sobe e desce
no fluxo lento
do pensamento racional


ah meu esguio e monumental
planalto seco
ora roma ora babilônia
quase sempre babel
biótico e abiótico
em seus eixos e eles

palco de começos
e recomeços
branca página
de minha história
cúmplice dos meus medos
serenador dos tormentos

pardo avião
onde embarquei
de onde,
desde então,
tento saltar

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Trocadilhos Ventilados


A soneca descansa os olhos, o olhar decora o descanso da vista, o que cansa na ideia precede o imagético decorado na paisagem para-brisa, escrevo pensamentos no espelho, minha sombra tem a minha cara, minha cara não parece com aquele cara; tem pijama que lembra casca quando sai do corpo descasca, algumas histórias começam pelo fim, desconfio de uma história com minha lembrança; toda cama tem coberta, toda coberta é cobertor, descoberta pode descobrir contornos, decerto contornando. 

A janela verseja, trocadilhos ventilados, folhas secas são parafernagens mágicas pousando e descolando, estrelas são sacudidas das árvores, sulcadas pelo nevoeiro invisível;

É certo que na linguagem de quem pensa- vocabula- um dicionário, colega diligente imaginário é ponto final na penúltima linha do seu diário - pertença, fustigada por sílabas na guarida de verniz.



Por Claudio Castoriadis

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Atrapalhando os iguais

                          
                                                             Imagem: Okan Güner

"Tome um rumo diferente do de costume, e quase sempre estará certo."

Rousseau

                                                                            ente
                                                              Experimente
                                                           anonimamente
                                                              aluadamente
                                                                     contente   
                                                                       invente 
                                                                           tente o diferente   
                                                                                               ente            
                                                                     
                                                                         Claudiane  Ferreira                                           
                                                                  
               
   Sobre a  imagem:  Usando o corpo e um pedaço de carvão a artista cria formas simétricas sobre o papel.


             

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Delírio de amor !


Tudo o que me rodeia
é silêncio
restos de ternura
delírio de beijos
que me deste...

vulto que em mim
se dilui
nudez que me escorre
entre dedos
mar que nos separa
instantes...

Tudo o que me rodeia és tu
e quando os meus olhos
encontram os teus
desfaleço de amor
como os amantes...

Anda vem
povoa tudo o que me rodeia
o silêncio
o resto de ternura
o delírio dos beijos
que nunca me deste...


Manuel Marques (Arroz)

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Um adeus para Elizabeth Stefany

Esta é uma obra de ficção, baseada numa história real, elaborada com muito carinho em homenagem a todas as famílias que já perderam seus entes queridos em acidentes ou crimes nas rodovias, que escrevi, se bem me lembro, em 1995.
JGCosta




O ACIDENTE

-- Quando é para acontecer, não tem jeito – dizia um rapaz ao ver o desespero impresso no rosto de Valter, bem como no de seus ajudantes, enquanto eles recolhiam o corpo do asfalto quente e o colocavam, com todo o cuidado possível, dentro de um furgão, numa maca improvisada com mãos calejadas.
-- O que foi que eu fiz? – murmurou baixinho consigo mesmo o motorista, adentrando o furgão com destino certo: o Hospital San José, no centro de Feldstal.
Lembrava que instantes antes do ocorrido fora acometido por um pensamento estranho lhe dizendo que o vento não soprava para uma só direção e, assim como o vento, também era nossa vida! “Teria sido uma premonição?” Perguntou-se enfim, quando deram entrada no hospital e descobriram que já não havia mais vida para salvar. “Se fora como o vento que passou”, iria dizer aos seus netos no futuro, “como o vento”.
Ele, Valter, já era motorista há 12 anos, tendo herdado o gosto pelas pistas do falecido pai pernambucano. O saudoso Moacir era fera no volante e quando percebeu que o filho começou a andar com suas próprias pernas, mostrou a ele qual o caminho que deveria seguir, levando-o junto em suas viagens de ponta a ponta do “paisão” em que viviam, e o menino correspondeu aos sonhos do caminhoneiro. Só não viveu o bastante para ver o filho comprar seu caminhão e se tornar empregado-patrão, o que era um grande lamento, sempre lembrado por Valter. O seu amado pai não estivera ali com ele quando ele melhorou de vida, e nem se encontrava agora, em que ele sofria com aquele acidente dado pelo destino, talvez, mas que de novo mudaria sua vida, pois nunca mais voltou a dirigir.
Os policiais chegaram numa viatura barulhenta e pintada de pó, minutos depois do corpo, o que para Valter pareceram séculos, e o conduziram junto com seus ajudantes à delegacia. Com extrema força de vontade o filho do saudoso Moacir segurara as lágrimas até o momento em que a viatura deixava o hospital e ele pode ver a família da vítima chegando com uma máscara de tristeza e descrédito. Aquela imagem o fez chorar, naquele momento e em muitos outros. Sentiu-se como um assassino deixando a cena do crime!

Feldstal era, e com certeza como diziam todos, sempre seria uma cidade pequena do interior do estado de São Paulo e, com em todas as pequenas cidades, as notícias correm as léguas devido a sua raridade nestes ambientes de sossego patrocinado por seus habitantes. A cidade era atravessada pela rodovia Dr. Eugênio Marcondes, estando metade da cidade numa área montanhosa e o restante na parte baixa, praticamente oposta, plana feito um tapete. Foi nesta rodovia que o acidente aconteceu e, a essa altura, já era comentado de boca em boca.
Dona Julia e sua filha mais nova, Rosa, chegaram ao San José por volta das 13h daquele 21 de agosto. Foram levadas pelo patrão de dona Júlia, imediatamente ao ficaram sabendo da tragédia, e ainda não entendendo nada. Depararam-se com um carro de polícia partindo assim que puseram os pés no estacionamento do minúsculo hospital. Rosa ainda comentou com sua mãe que havia um homem chorando no carro e, por certo, estaria sofrendo de uma dor muito forte, mas dona Júlia nem deu ouvidos, presa em um sentimento que todos ouvem falar, mas graças a Deus, poucos o sentem: a dor de perder um filho. No caso dela era uma filha, uma menina de ainda 16 anos, “uma menina maravilhosa”, afirmava sempre.
Acabara de chegar à loja, ainda no horário de almoço, quando a notícia chegou por meio de dois vizinhos que ali a encontraram. Em princípio duvidou, mas quando seus vizinhos lhe descreveram as roupas e aparência exata com que vira sua menina ir para o trabalho, teve de aceitar e, com a mesma coragem de sempre, enfrentar a situação. Chamou o dono da loja de roupas em que trabalhava há sete anos e lhe pediu uma saída. Este não só a deu como também foi buscar Rosa e, prontamente, as levou ao hospital para um eventual reconhecimento, que foi positivo. Dona Julia, que se dizia separada há muito tempo, telefonou para o patrão de sua filha que partira e este providenciou de bom coração todos os preparativos para o velório onde os irmãos, cunhados, muitos amigos, o namorado Paulo e a mãe se despediram rezando.
Depois do enterro, dona Julia deixava o cemitério, abraçada a um dos genros no momento em que um desconhecido abordou-os.
-- Meus pêsames senhora – disse o estranho.
-- Agradeço muito! Conheceu minha filha?
-- Não, eu não sou desta cidade, mas eu esta enorme multidão no velório e vim ver de quem se tratava! Muito triste fiquei quando me deparei com aquela menina em seu corpinho, ali, tão bela e sem vida, que me atrevo a lhe perguntar como era o nome de sua filha.
-- Não era não, moço! – disse dona Julia enquanto novas lágrimas saltavam de seus olhos vermelhos – será sempre Elizabeth Stefany, minha Bete, onde quer que ela esteja.

ANTES

Se fosse uma semana antes, Elizabeth não aceitaria aquele sermão de sua mãe. Ela quase não podia acreditar em si mesma, ouvindo coisas que sempre dissera saber e cor, essas preocupações que toda mãe tende a ter com seus filhos. O sermão deste dia falava de como uma moça de família deveria agir com o atual namorado e, por incrível que pareça – pensou Bete quando sua mãe concluíra sua última lição de vida – sem uma única interrupção por parte dela, e nem mesmo uma tentativa de mudar de assunto. Se fosse uma semana antes... É, realmente concordava com este súbito pensamento, estava se achando estranha de uns dias pra cá. A sensação era de que se sentia mais – como era mesmo a palavra que se encaixava em seu novo eu? Exato, se lembrou – se sentia mais maleável. Se fosse num domingo normal. A essa altura da tarde, 18 horas, já estaria se preparando para sair com o gato e, ao contrário disso, ficara ali, por quase meia hora, no quarto de sua mãe sem falar uma única frase.
Quando percebeu que sua genitora terminara, simplesmente pelas palavras e a beijou no rosto.
-- Eu te amo mamãe, sei que me disse até hoje é a mais pura verdade e sempre a escutei da minha maneira. Confie em mim, eu prometo que jamais a decepcionarei.
Dona Julia se encantou com as palavras da filha e teve que disfarçar uma lágrima. Ela acreditava em Bete e, inconscientemente, viu realidade nas suas palavras de adolescente e retribuiu o beijo recebido.
E Elizabeth cumpriu a sua palavra!

O gato, ou melhor, Paulo, aguardava na sala sua “mina” para poderem dar a tradicional volta na praça, que consistia em encontrar os colegas, jogar papo fora, paquerar (o que não era o caso deles, mas sempre se achava um jeito para dar uma escapadinha no olhar), enfim, estas coisas que todo jovem já fez.
Enquanto Bete se demorava no quarto, ele se pôs a lembrar da época que foram apresentados. Um colega dissera que tinha uma gatinha querendo conhecê-lo e deu logo a descrição completa: “16 aninhos, moreninha, cabelo escarlate, mais de um metro e meio, um filé”. Paulo é claro, ficou interessado, mais questionou um pouco mais.
-- Mas é descente Rodrigão, você sabe bem que eu gosto de pessoas sérias.
-- Pô faltou isto é? Pois lá vai: ela é super-descente, sacou.
Paulo fez que sim com a cabeça mas não acreditou muito nas palavras do colega. Da última vez que o mesmo apresentou-lhe outra garota, a aparência era ao contrário e a menina não tinha nada na cabeça.
Só não esperava que a de hoje fosse aquela que ele já paquerava há uns dois meses e nunca lhe dera bola. Não teve jeito. Conversaram demais, foram embora juntos e no outro dia já estavam namorando sério. O amor tem dessas coisas, quando vem é rápido e arrasador, não tem como escapar.
Ainda flutuava nas lembranças quando a beldade finalmente lhe puxou pelo braço, levantando-o ao mesmo tempo em que o intimava.
-- Vamos?
Foram somente uns segundos para o adeus a dona Julia e lá se foram eles, formando um belo casal.
Na praça tudo normal, recheado apenas por umas cervejas e pizzas, muitas risadas, até as 22h, quando começavam as despedidas e cada um seguia seu rumo. Elizabeth esquecera completamente a sensação de bondade exagerada que lhe cercava e conseguira se divertir como sempre. Foi somente mais tarde, ao se deitar e rezar, que se perguntou mais uma vez se havia algo errado. Fez que não para si mesma no escuro do quarto e dormiu... e sonhou...
... que vivia agora num lugar lindo e distante, tão iluminado que chegava a cegar, rodeada por (será que são anjos?) sombras de cor prateada que andavam a esmo, indo e vindo. Perdida, era como se sentia, não tinha certeza de estar ouvindo coisa alguma, mas parecia haver um som, sim, lá longe. Concentrou-se e pode identificar o ruído, era como se muitas pessoas estivessem chorando, todas juntas. Pôs-se a andar e foi ai que notou como o chão se tornara macio e percebeu também que usava somente um sapato. Baixou os olhos para o chão macio e uma neblina branca – daquelas que se vê em filme de terror, pensou – cobria-lhe agora até a altura do joelho e a roupa que trazia junto ao corpo... há quanto tempo não vestia, talvez umas quatro semanas. Lembrava-se agora de ter dito a sua irmã mais velha, a Maria, de que aquela roupa já não lhe caia tão bem. Caminhou, caminhou, caminhou, olhou para todos os lados, mas tudo lhe era igual, como se ao andar não saísse do lugar, e aquelas sombras continuavam, sem cessar, seu eterno vai e vem. Foi quando viu alguém, mas a voz falhou. O “alguém” começou a se aproximar lentamente, e ela pode reparar em quem era, era...
... e acordou. Uma chuva forte batia no telhado do seu lar. Levantou um pouco a cabeça e pode ver Rosa ainda dormindo na parte de cima do beliche, estacionado ao lado de sua cama. O rádio relógio acusava: 8h30, era a hora de levantar, dar um jeito na casa e, mais tarde, ir trabalhar. Por alguma razão, achava ter sonhado com algo interessante, mas não conseguia lembrar e já não tinha importância. O sono acabou e o sonho se foi.
“Como o vento”.

Elizabeth saiu de sua casa para o trabalho ao meio-dia, quando o sol resolveu aparecer, numa rotina que cumpria com rigor desde janeiro último. Antes de sair, trocara três vezes de roupa, até escolher uma saia azul desbotada e uma camiseta com estampas de flores diversas, que ganhara no Natal de Rosa. Saia no mesmo horário, sempre fazendo o mesmo itinerário, que era cerca de 20 minutos na ida e 30 na volta, pois morava na parte alta da cidade e o escritório de contabilidade Boas contas era no outro lado, quase no fim da cidade. Gostava muito do que ela chamava de passeio casa-trabalho, eram árvores por todas as ruas, diversas pracinhas com jardins bem cuidados e casas de construção antiga, que ela não se cansava de admirar. No escritório ela fazia um pouco de tudo, desde serviços de Office boy (no caso dela Office girl) até auxílio nas papeladas dos clientes distintos de Feldstal. Era no Boas Contas que Elizabeth exercitava o que aprendia no segundo ano técnico do colégio Frederico Severo, em Campo Verde, cidade vizinha.
Começou a diminuir o passo ao ver-se próxima da autoestrada, lembrando-se de que perdera as contas das vezes em que dona Julia atravessara com ela, de mãos dadas, até que completara seus oito anos e passara a atravessar sozinha, para tomar o ônibus para a escola. Bete não recordava ter estado com João Antônio, seu pai, na mesma situação da mãe e se lembrasse, certamente ver-se-ia no colo do pai. A única vez que o vira fora por meio de uma foto gasta pelo tempo e pela pouca qualidade. Ele desaparecera desde o tempo em que Bete ainda usava fraudas e Rosa mal tinha acabado de nascer. Foram sempre as palavras da mãe, que mesmo assim dizia a todos ter se separado.
Onde se encontrava agora o pai? Perguntou-se, e depois questionou o porquê desta curiosidade repentina, que se estendeu. E como ele era mesmo? A pergunta ficou sem resposta em sua mente no mesmo instante em que parou para observar se poderia atravessar a pista. Os olhos, agora sonolentos, primeiro procuraram algum carro em alta velocidade e, com o auxílio da cabeça, procuraram também do outro lado e registraram, vagamente, a vinda de um caminhão branco a mais de quinhentos metros. Com a certeza de quem sabe o que faz, começou a caminhar em direção ao seu destino, o outro lado da rodovia.
Os pensamentos continuaram distantes, lembrava-se do beijo da despedida que ganhara de Paulo na noite anterior, do sorriso da mãe, e ainda podia ouvir a voz do pai lhe dizendo como era linda. Depois de notar que deixara para trás as duas faixas contínuas que separam as mãos de direção na rodovia, balançou a cabeça com força e fez a última pergunta ainda em vida, para si mesma. Como posso me lembrar da voz de meu pai se nunca o vi de frente depois de crescida um pouco? Foi quando a ouviu de novo e era bem atrás de si. Parou, virando-se. O caminhão agora já estava próximo, bem próximo.
O que Elizabeth viu ao se virar, a princípio, não parecia ser o seu pai. Um homem alto, cabelos castanhos e barba para fazer. Trajava um terno bege, de modelo antigo, com uma calça social preta combinando. Não viu gravata orem o colete ali estava. A barra da calça chegava a roçar o chão, dando a impressão de que ele não usava sapatos. A princípio não teve certeza, mas ao ouvi-lo, sorriu feliz.
-- Venha me dar um abraço Bete. Você continua linda como quando era um bebê. Venha, venha minha filha, venha comigo!
Ela foi ao seu encontro e ainda sorria quando o caminhão a atropelou. Mais tarde o motorista declararia, em seu depoimento à polícia, que não vinha carro algum em sentido contrário, obrigando-a a retornar. Ela parara no meio da pista e, sem olhar para os lados, voltou, entrando na frente do 1313. Apenas não contou que ela parecia estar sendo chamada de volta, pois achou que pensariam ser uma desculpa e achar mesmo que não fazia parte dos fatos, mas foi isto que o senhor Valter sentiu, mesmo tendo a certeza de que só havia aquela menina ali.

DEPOIS

Assim que abriu os olhos era o mesmo que ter despertado de uma longa noite de sono, mas ao invés de estar deitada, como era o normal de quando se acorda de manha, estava ali, em pé, quase cega pela intensidade da claridade que a cercava. Quando suas pupilas se acostumaram com a luz, ouviu um som distante parecido com o de muitas pessoas chorando ao mesmo tempo, e viu sombras prateadas (não seriam anjos?) num vai e vem alucinante. Reparou que vestia uma roupa que há meses não usava. Sem saber bem porque, começou a andar e sentiu o chão macio por debaixo do pé direito, que estava descalço, enquanto o esquerdo levava aquela botinha preta de couro número 35, presente do namorado. O chão estava encoberto por aquela neblina muito comum em filmes de terror. De repente, o sonho da noite passada a invadiu provocando-lhe um leve choque pelo corpo. Ela já vivera aquele momento de alguma forma que não entendia, e tinha consciência de que faltava alguma coisa... ah, sim, lá vem o que falta, se lembrou. Ela pode ver alguém caminhando em sua direção. O “alguém” vinha rápido, como se flutuasse rente à neblina e era, era...
... era tão lindo!
Cabelos loiros longos, cheios e encaracolados revestindo um rosto alvo tal as nuvens. Os olhos pequenos tinham a cor de mel, a roupa era um vestido branco que parecia comprido o bastante para ir até os pés. Este alguém transmitia a mais profunda paz. Ela pensou em dizer qualquer coisa, já que continuava sem entender nada, mas ao se lembrar de que no sonho sua voz fugiu, resolveu fazer as perguntas na hora certa e com calma, o que não aconteceu.
O “alguém”, que ela tinha absoluta certeza de se tratar de um anjo, parou ao lado dela, pegou uma de suas mãos e indicou o caminho a seguir com um olhar. Enquanto caminhavam lhe contou, numa voz rouca, tudo o que tinha o direito de saber.
-- O seu pai, João Antônio, chegou aqui quando você era bem pequena, Elizabeth. Foi assassinado e jogado num rio por ladrões. Ele foi escolhido para chamá-la porque a amava muito e teve pouco tempo para demonstrá-lo em vida. Você foi atropelada por um caminhão e faleceu ao chegar ao hospital, e muitos rezam por você neste instante. Pode sentir?
Sem que ela respondesse, ele pareceu ler a resposta afirmativa em sua mente e continuou.
-- Eu sou um dos encarregados de receber e orientar os que aqui chegam, e vou te levar até aquela luz maior – disse e apontou para um lugar que parecia uma porta, e realmente ela notou que naquele ponto a luz era mais forte. – Mas antes, não acha que está faltando alguma coisa?
Elizabeth baixou os olhos na direção dos pés encobertos e sorriu.
-- Vamos buscar juntos – o anjo disse, agora também sorrindo.
E se foram.

O casal observava com afeto o filho de um ano e meio que brincava, sentado na grama que se estendia em frente ao ponto de ônibus rodoviário. Em dado momento o bebê se levantou e foi até perto de um mato alto, como se procurasse algo e soubesse que estava ali. Os pais, pessoas simples, acharam graça quando o menino voltou para a grama com uma botinha preta que ele mal conseguia carregar, e a levantou para o céu com as duas mãozinhas, baixando em seguida, dando um breve aceno de adeus.

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Versos n'Areia

Imagem da Web

Versos n'Areia 

Ele veio 
chegou de mansinho 
sem nada avisar 
Qual as ondas 
que beijaram a praia 
e voltaram ao mar 

Eu estava 
andando na noite 
a observar 
Me inspirando 
a compor um poema 
sob a luz do luar 

Quando li 
escrito n'areia 
versos do meu pensar 
Senti que o amor 
invadira meu peito 
e me apaixonar … 

Eu daria 
mil voltas ao mundo 
só para encontrar 
Ela e dizer 
que mil voltas daria 
só para eu ficar 

Por um dia 
se ela fosse minha 
e nunca voltar 
A mil voltas 
ao mundo sozinho 
eu ter que dar 

Men@ 
® 

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Montanha Azul


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Diário - 3ª página - Convicção







♫ É pau é pedra é o fim do caminho/ É um resto de toco/ É um pouco sozinho...♫ 
Águas de Março - Tom Jobim

♪ É pau ou jacaré? Foi o fim do caminho/ Será o outro tolo?/ Finalizarei sozinho?♪
Águas de um rio - Claudiane  




Querido Di,

O que leva uma pessoa a confiar mais na percepção, que outra pessoa tem sobre o assunto e não na dela própria? Ou vice versa? Seria os mais velhos, os mais sábios? pessoalmente, não acredito nisso não, convivo com alguns jovens tão maduros e alguns envelhecentes, tão inexperientes.
Como saber quando devemos abandonar ou não nossas velhas convicções e atravessar o rio de nossa vida? Enquanto ás águas estiverem rolando, nosso dever de casa é treinar a inteligência e desenvolver a intuição, mesmo sabendo que certos tipos de erros não tem volta, como é o caso do vídeo animação.

                                                                  Convi                  te
                                                                           c                onfiança          
                                                          A                    ção 

Claudiane Ferreira

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O garoto, o monte e o Todo Poderoso

Ibrahim Abu Sharkh



Parte I - Garotinho

Para ficar bem claro esta é a história de um garoto que falava diretamente com Deus, tão normal como os diálogos do Velho Testamento, e nessa dialética nunca faltava uma resposta, mesmo que enigmática, já que Deus escreve certo por linhas tortas.

Dona Fina espiou, como de costume, pela sua janela. Gostava de ver os vagabundos, como assim os chamava, fumando baseado e aprontando outras coisas imorais, também segundo sua opinião. Surpreendeu-se porque desta vez não haviam os malandros de sempre. Mas era uma praga de menino. Uma peste mentirosa que aprontava todas as piores travessuras na escola e na vizinhança. O garoto estava ali no monte Sinai, lugar perigoso, alto, uma queda seria fatal. Alguma deve estar aprontando, pensou dona Fina.

-  Peste, saia já dai! - gritou a senhora de cabelos desgrenhados vestida com seu típico avental sobre um longo vestido.

O guri correu tanto com o susto, que só não caiu porque era danado de magro e o próprio atrito do vento o impedia de uma possível queda. Garotinho detestava ir à escola porque desde cedo, bem cedo mesmo, aprendeu que não valia a pena. De quem ouviu isso? Certamente não foi de Soninha, sua mãe, que implorava a Deus todos os dias para que seu filho tivesse um bom destino, um futuro diferente do seu. Aprendeu mesmo foi com a verdade do dia a dia. Os garotos mais velhos nunca terminavam o colegial e os que terminavam acabavam exercendo as mesmas funções que seu pais, sem estudos, ou seja, nada mudava com ou sem estudos. Isso era o que se passava na cabeça do pobre Garotinho, que cabia numa caixa de sapatos quando nasceu, de tão miúdo.

Pensava sempre de forma rápida e lógica, era um garoto esperto, cheguei, ufa, falou, como de costume, com Deus.

-  Garotinho onde você esteve? - perguntou, brava, sua mãe Sonia. 
-  Não fiz nada não senhora, fui apenas ver Seu Tonho cuidar dos cavalos. E ele disse que quando precisar ele faz o frete de graça.
-  Té parece que vou lá eu pedir alguma coisa de graça.
-  Pois foi o que eu disse, sim. Daí então ele falou que cobra.

Sonia sempre desconfiava das coisas que saiam da boca de Garotinho, mas como já era tarde e ela passara as últimas horas preparando a canja e arrumando as coisas de casa nem tinha paciência para discutir com seu filho. Garotinho aproveitou que sua mãe ficou muda, se sentou e logo encheu a boca de canja.

-  Não vá se esquecer de agradecer Deus, garoto mal educado!
-  Não mãe. Esqueço não. É que eu falo com Ele de boca vazia porque vó Nazaré disse que não pode falar de boca cheia.
-  Garotinho, vá dormir! Você me confunde os pensamentos, vá que há muito o que fazer e amanhã você tem escola cedo.

Eu odeio escola, odeio muito seu Deus. Não presta, não serve. Só a tia Vania que eu gosto. Eu tô com fome, não falo pra mãe que ela bem me bateu na cara quando eu disse que sentia fome, falou que tem gente em situação pior e que eu tenho é que agradecer ao Senhor. Mas o Miguel tem cara de sanduíche de tanto que come, ele é gordo e uma metideza só.

O menino olhou para os lados, ouvia o estrondo dum trovão sempre que Deus ia falar com ele. Era um sensação estranha, chegava a dar vontade de por tudo pra fora. A cabeça parecia girar com tamanha a altura daquela voz, mas Deus sempre respondia o garoto.

CRIANÇA, SE PRECISAR, BEM SABES QUE FAÇO DO CÉU CAIR PÃO E DA ROCHA FAÇO BROTAR ÁGUA. NÃO DOU PROVA MAIOR QUE NÃO POSSA SUPORTAR.

Garotinho foi tentar dormir, mas não conseguiu, nem sempre ficava muito satisfeito com as respostas que escutava de Deus, mas ele sabia que era um privilegiado e que isso não acontecia com mais ninguém.

Parte II - Miguel

Miguel nem piscava os olhos, de tão concentrado que estava, lendo a Palavra de Deus. Faltava pouco para ir dormir e como já estava de barriga cheia começou a pensar nos elogios que tia Vania ia fazer no dia seguinte ao ver que completou sua lição de casa. Miguel era um tanto apaixonado pela sua professora, desde o 3º ano, quando ela o elogiou num dever e afirmou que adoraria ter um filho como ele.
Miguel se esforçava para fazer os deveres porque tinha incentivo e talvez sua paixão pueril se desse exatamente por conta de suas qualidades que eram tão enfatizadas por Vania. Mas ele também percebia que quem não caísse na graça da professora, aqueles que não entregassem as lições, como Helter, passavam a ser perseguidos.

Ficar com o mesmo professor mais de um ano é bom apenas para quem se dá bem com esse professor. Concluiu o garoto.

Parte III - Sinai

No dia seguinte Garotinho acordou bem cedo e saiu de casa pensativo.

Eu não entendo porque Miguel sempre vai na casa da vó Nazaré aprender sobre igreja. Ele faz para aparecer. Deus nem deve falar com ele. De que adianta adorar alguém que você mal conhece? Não gosto de Miguel porque ele é muito bonzinho e todos só tem elogios para ele, enquanto eu... ninguém nota.

GAROTINHO, AME AO PRÓXIMO COMO A SI MESMO.

Mas Seu Deus, eu não me amo.

Garotinho novamente não foi à escola. Perambulou pelas ruas e sentiu um vazio muito grande, além da fome.

Seu Deus, ninguém te ama mais que eu. Vó Nazaré me disse que o Senhor só dá lutas que podemos suportar. O senhor mesmo disse, só que eu num aguento mais...

Garotinho subiu completamente o penhasco do Sinai, com muita dificuldade, devido ao jejum forçado de semanas, ele nunca comia de manhã. Não havia visto pedra virar pão, comeu pedra pensando ser pão. 

Dessa vez eu consegui e nada, nem dona Fina como fizera da vez passada, vai me impedirSe eu me jogar daqui de cima o que vai acontecer Seu Deus?

BASTA QUE EU ORDENE AOS ANJOS A TEU RESPEITO, QUE TE GUARDEM. ELES TE LEVARÃO NAS MÃOS PARA QUE NUNCA TROPECES. MAS NO QUE PENSAS MENINO?

Cê sabe no que penso e mais, no que vou fazer.

SEMPRE DEI AOS HOMENS O LIVRE ARBÍTRIO.

Quase nunca te entendo.

ESTÁS AFASTADO DAS ESCRITURAS.

Me afasto porque não sei para que servem.

PARA TE GUIAR AOS CÉUS.

Acontece que é um caminho muito longo. Mas de qualquer forma o Reino dos Céus é feito de crianças, não foi isso que disse Jesus? Só estou encurtando a jornada. No mais ouço muita contradição. E só conheço essa palavra porque tia Vania uma vez falou que eu não estudava e eu falei que estudava sim. Daí ela me perguntou algo simples e eu não soube responder, então ela falou que se eu estudasse eu saberia, daí eu disse que não estudava, logo ela disse que eu estava me contradizendo, assim como o Senhor, que fala que vai me guiar, que nada acontece sem que o Senhor saiba, mas que mesmo assim dá livre arbitro.

E, sem mais pensar, Garotinho se jogou do monte Sinai. 
Sentiu o vento em seu rosto, sorriu. 
Faltou ar e agora não mais sorria. 
Começou a sentir medo, mas sabia que a qualquer momento os anjos poderiam aparecer.
Nada de anjos.

Parte IV - Deus

-  Cumadre Nazare, eu bem que vi esse menino ontem, com atitudes suspeitas lá no Sinai, devia ter imaginado que coisa boa não planejava.
-  Um menino tão perto de Deus, como pôde? Se jogou do penhasco e os médicos falaram que ele nunca mais vai andar e que não sabe se ele pode ou não nos escutar.
-  Ele era bom aluno de catequese né?
-  Bom? Era o melhor Fina. Meu neto aprendia mais rápido que os outros
-  E porque Garotinho?
-  Ele era tão pequenino que sobrava espaço na caixa de sapato, quando nasceu, magrinho de dar dó. Mas nas aulas gostava de ser chamado só pelo nome.
-  Porque na verdade era um anjo
-  Miguel podia bagunçar e ser arteiro às vezes, mas era aplicado nos estudos, pense que a professora sempre o elogiava e lá no catecismo eu nem podia reclamar. Ele afirmava que podia falar com Deus.
-  Será que neste momento ele está falando?
-  Me dá uma peninha de ver Garotinho, meu Miguel, nessa situação...
-  Será que ele consegue nos ouvir? Nos entender?

Garotinho ouvia atentamente toda a conversa. E, por mais que não conseguisse se mexer, entendia tudo que estava acontecendo.
Pediu para Deus falar com ele. Se esforçou.
Só queria escutar a voz de Deus, dentro de sua cabeça, dizendo que aquilo tudo era mentira.
Miguel chorou.
Havia compreendido tudo,
Logo concluiu...
DEUS NÃO EXISTE!

* publicado originalmente em http://leaodegaza.blogspot.com.br/2014/01/o-garoto-o-monte-e-o-todo-poderoso.html

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ABUTRES DO MÉRITO


ABUTRES DO MÉRITO

“ Eles “ estão comemorando,
sim, “ Eles “ os Abutres do Mérito,
essa gente perigosa, arrecadadora,
dos nossos impostos, são manipuladoras,
que no ano que passou, nos abocanhou,
Um trilhão e cento e pouco milhões de reais,
que nos achincalha por demais.

E qual o retorno disso tudo ???????
Para nos pobres mortais,
quase nada, o mínimo do mínimo,
não há um único serviço digno,
é tudo uma sucata,
não há um serviço de qualquer
instância governamental,
que tenha um mínimo de cordial,
é tudo muito desigual.

E não tem como tourear essa sanha arrecadadora,
porque é tudo arrecadado na Fonte,
não se vislumbra nada de bom no horizonte,
é tudo feito de uma maneira humilhante,
e na tabela do imposto renda,
os índices escorchantes,
se perpetuam repugnantes.

Mas claro que todo esse trilhão arrecadado,
será muito bem empregado,
como é ano de eleição pra presidente,
“ eles “ farão os conchavos indecentes,
para se perpetuar no Poder eternamente,
mas não se iludam, é o Povo
que elege essa gente,
afinal como muito da cultura do Pais,
é levar vantagem em tudo,
e aqui nada é Meritório,
aos poucos, esse vendaval de esperteza,
vai acabando com o território.

E os “ Abutres do Mérito “
vão arrecadando os impostos,
e a nós resta os destroços,
desta economia governamental,
que em detrimento de seus interesses,
nos oferece o que há demais por desigual.

Marco Aurelio Tisi
( 23/01/2014 )

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Não se preocupe





Não se preocupe,
Ainda que as correntezas da vida mudem seu caminho
E o medo te abrace e sussurre em seu ouvido: Estás sozinho...
Uma coisa te digo:
Planaria sobre todas as dificuldades,
Pintaria um quadro, com cores claras
Só pra te fazer saber
Que parte de mim eu perdi
Ao me apaixonar por você...
                                                                                :)


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Vem

Isa Lisboa

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CAMINHAR

CAMINHAR

É Domingo, dia da Caminhar,
caminhar para a artéria pulsar.

Caminhar,
para o Coração Ritmar.

Caminhar,
ouvindo aquela Música
que só faz arrepiar.

Caminhar,
e vir a mente, tão somente,
no Pensiero, aquela miragem,
de um Oasis com uma linda Fada,
bela e Meiga e muito Faceira,
que causa uma Saudades,
daquilo que se pensou ter acontecido,
mas foi indefinido,
porque afinal é uma Miragem,
que virou uma Lenda,
então não há como se entenda.

Mas, é Domingo, dia de Caminhar,
e quem sabe, lá na frente,
o Arco Iris encontrar,
porque é Natureza,
e é sempre bom desopilar.

Marco Aurelio Tisi

( 20/01/2014 )

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Sua majestade, a nudez




                                  Imagem: http://www.kimweston.com/edward-weston/


                                                                  libertar, rasgar a cobertura
mostrar toda nudez
                                                                  não, não é loucura.
Cansei da minha mudez!
 seios, vagina, abertura
 precisam de complemento sem sisudez
 adrenalina , gemidos, libertos da armadura
abdicar, aventurar um pouco a cada dia mais
criar seu próprio mundo, gerar atitudes
lamber, sorver, deixar acontecer essa poesia que se chama viver


Aprender a gozar
 as palavras
que vivem escondidas no ar.
Entrar
 para a ala dos loucos
 amantes
 e das crianças  que se lambuzam,
 gargalham
e desfrutam dos mínimos prazeres
sem se importar com a sua majestade, a nudez.

Claudiane Ferreira

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Amo-te no limiar da noite!


Grito mudo do teu corpo
rosa de amor desfolhada
no teu corpo me acomodo
amo-te na carne
minha amada...

Meu amor
amo-te no limiar
da noite!
Vê como brilha
a luz do luar...

Manuel Marques (Arroz)

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O Que Foi

O nosso autor Simon-Poeta ilustra os versos da nossa autora Dulce Morais num lindo vídeo.

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As cartas se escrevem pelas paredes, 5

Clique aqui para ler os capítulos anteriores do conto…

flores


Rodolpho,

...não vai acreditar, mas hoje acontece algo engraçado. A campainha tocou próximo das onze horas. Estava na cozinha tentando misturar ingredientes. É sempre muito difícil fazer isso quando o único paladar a agradar é o seu próprio - pois bem, era um entregador desses jovens, de poucas palavras e com um olhar atento. Senti que enquanto assinava o papel que ele me entregou, observou todo o interior de meu apartamento. O jovem de boné virado para trás deixou comigo um buquê de flores e, eu - acredite você - pensei serem suas -, para mim.
Eu sei que não tens o meu endereço, mas por alguns segundos - até o rapaz perceber o engano quanto ao andar - elas foram minhas -, e, vinham de você...
Passado aquele segundo, voltei para a cozinha e fiz uma omelete com gosto de ovos. Que outro gosto teria, não é mesmo?
Perdoe-me escrever-te assim do alto de minha solidão, mas o inevitável aconteceu, você ocupou o espaço vazio onde até então eu vivia em paz - mas desde que você chegou com suas palavras, percebo que nada mais é como era antes.
Escreva-me quando puder, vou gostar de "ouvir a sua voz".
Abraços,

Julia


>> continua…

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Chorando socorro

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socorro
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PICO DA LUA CHEIA

PICO DA LUA CHEIA

hoje é o Pico da Lua Cheia,
vou tirar meu barco da areia,
e esperar a Maré levantar,
e ir pra Lua Sonhar,
pra Saudade saciar,
pra não desmoronar,
e tranquilo poder ficar,
e no coração alojar,
o prateado do Luar,
só espero não Lacrimejar.

Marco Aurelio Tisi
(16/01/2014 )

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Diário 2ª página - Revelação



Querido Di ,

Sinto até um pouco de dó das pessoas que não tem acesso à internet, por quaisquer motivos; pois assim como tem muitas coisas ruins, nos deparamos também com muitas coisas legais, tal como o vídeo "Declaro-me vivo ."

Amo minha loucura que me vacina contra a estupidez. Amo meu amor que me imuniza contra a infelicidade que prolifera, infectando almas e atrofiando corações.

Di, será o amor a vacina contra a infelicidade nossa e de nossos semelhantes? E como posso adquirir esse artigo de luxo? Digo luxo porque é difícil, muitas vezes inviável aceitar certas atitudes, comentários etc... e sentir amor (colocar-se no lugar do outro).

Quem  já não experimentou o gostinho da vingança, mesmo que por pensamentos? Quem já não ficou irritada com algum funcionário público, um motorista, um filho, um pai, uma mãe, um irmão, um colega de trabalho, etc... e ficou alterado? Será que se estivéssemos preenchidos de amor ao próximo agiríamos assim?

O autor fala que ama esse amor que o imuniza contra a infelicidade e me remete à música "Monte Castelo", do Renato Russo. ♫ Ainda que eu falasse a língua dos homens/ E falasse a língua dos anjos/ Sem amor eu nada seria . É só amor, e só amor/ Que conhece o que é verdade...♫

Parando por aqui, porque não tenho muito ritmo; mas, colarei aqui uns versículos da carta do apóstolo Paulo aos Coríntios, na qual foi inspirada a letra da música .

1Coríntios 13

Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine.
2. E ainda que tivesse o dom da profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria.
3. E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria.


Por tudo a mim revelado, de hoje em diante meu querido diário, procurarei em situações adversas olhar o mundo e as pessoas com lentes de amor.

Beijos
Claudiane Ferreira 





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