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Emaranhados de amor


Imagem da Web



















Somam-se os sonhos...
Somam-se as vidas,
Mas não se compartilham os braços...
Há de pensar os poetas moços...
A vida afinal é uma eternal subtração...
De surdos por moucos...

Se olho em teus olhos
Não te vejo humana, 
Vejo-te deia e por um instante
Entrego-me... mas desisto,
Afinal nada há no universo
Se não uma eterna destruição
De fantasias e utopias...

De tanto caminhar errado,
Ainda não caminho certo...
Aprender, talvez, é tudo que não
Se deve... Não se deve viver de vidas
Comedidas, visto que sem amor
Não há sequer um instante
De doce rebeldia.

Quem sabe um dia
Eu te encontre em versos menores...
Em uma poesia com menos lágrimas
E com rancores obliterados... Nesse dia
Caminharemos a pé, os caminhos que só
Valem a pena quando se caminha errado. 


Josué da Silva Brito 

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In-Out


Gilberto de Almeida
30/11/2015



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Não deixes que o tempo envelheça...

Mergulho nos sonhos e não encontro nada
a noite vai-se diluindo em manhãs vazias
e tenho tanto para te dar...

Pois cada tempo tem o seu tempo
a noite é triste e tão sozinha
não deixes que o tempo envelheça
vem meu amor,vem me amar...

Manuel Marques (Arroz)

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LIBERDADE

LIBERDADE
(Maristela Ormond)

Não sou um anjo, mas tenho asas.
Não vejo grades, mas me sinto presa...
Imagem retirada da web
Possuo o dom da fala, porém calo.
Vejo com meus olhos, mas não enxergo.
Minhas pernas me levam a muitos lugares, mas acabo estática.
Meu sonho me liberta e vejo lugares que desconheço.
Meu descanso desata os nós e voo.
Acabo com os grilhões que vejo acordada.
Resolvo problemas de gentes que nem sei quem são.
Enxergo coisas que muitos não percebem e afasto o que não é bom.
Pulo com minhas pernas e voo pelo infinito com asas translúcidas,
Observando o mundo como um super-herói.

Sim, não sou um anjo, mas tenho asas...

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Série: símbolos & trovas - "Coruja"





Eu observei toda ação
descaramento no ar.
Sentinela proteção
o vínculo ativar

Claudiane Ferreira

Coruja- Associada á magia, o outro mundo, sabedoria e profecia em muitas tradições.

Fonte: O grande livro dos signos & símbolos


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Incandescente lampejo do amor

















Talvez goste do orvalhar silencioso
Das madrugadas, vive na noite,
Não para ser flor, mas para ser
Estrela, uma fonte de luz incessante
E apaixonada pelos grilhões tantos
Do homizio do amor.

E para observar as formas mais
Insignificantes, os homens que
Amores juram as suas pungências,
Ajunta-se com a lua... não por
Um instante, mas por toda duração
Das suaves procelas.

Surdez nos ouvidos, para viver
Sem sua veleidade, é a solução
Primeira... Cumpre os motivos
Mais estranhos e as paixões que
Caem por sua beleza, são infelizes,
Em todo instante, porém, verdadeiras.

Deveras busca as ruas mais escondidas
E as pérolas menos nacaradas, não
Atende aos sonhos, mas sim à incredulidade,
Posto que os olhos fazem a sua face falta,
Mesmo que tenha o sol fulgido em
Cada órbita de sua grandiosidade.

A cada noite vazia, em que procura
Pela terra e pelos primores, só na sua
Mente existentes, eu olho o céu
Na esperança em que reflita um raio
Desse seu pavilhão luminoso e veja
Em meus olhos o anseio de vê-la sorrir.


Josué Brito 

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Tributo a Yung




















A mesma indagação seguidamente vem
à tona e, dos confins do pensamento, chama:
- Qual é a finalidade da existência humana?
O que me espera nesta vida ou mais além?

Viemos por prazeres, gozos ou, também,
fortuna, glória, diversão ou fama?
Será que é o casamento aquilo que nos chama?
Ou tudo é passageiro e nada nos convém?

Mas, não! Não faz sentido tal deslumbramento!
Nossa existência há de ter mais nobre intento;
então - com Yung - creio, já contemplativo,

que a vida humana tem por único motivo
mostrar-nos a melhor maneira de acender
a luz que ainda falta à escuridão do ser!

Gilberto de Almeida
27/11/2015

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Do poeta ao poeta

Morreste...
Pintaste sonhos,
Pintaste este,
Mas não viera o sol...

Tua mão infame
E ímpia,
Mãos
De sofrimentos
Domados...

Morreste de sonho,
Morreste da morte
Que mataste só...

Mas não morreste
De outra morte se não
Da tua...

Morreste de verso,
Morreste reverso e do
Avesso...

Morreste desnudo de honra,
Morreste vestido de roupa...
De tantos pobres versos
Escondidos, morreste entalado.

Morreste de mares que
Decoraras de beleza...
Mas afinal morreste
De tanta vida.


Josué Brito 

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Doação



Gilberto de Almeida
27/11/2015

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Turbidez


A tua verdade me basta,
assim como a minha, também!

Não tentarei mais ser o depositário da razão,
mas esforçar-me-ei 
por enxergar a Verdade de Deus,
aquela que diz que a tua convicção
e a minha
são, ambas, degenerescência passageira da realidade,
consequência obscurecida dos véus da matéria,
que turvam a visão.

Não tentarei mais ser o depositário da razão.
Aceito o teu ponto de vista e o meu,
ambos como ilusão.

Não tentarei mais ser o depositário da razão.
Não mais me oponho
e haverá paz!

Gilberto de Almeida
27/11/2015


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A força mais pungente do universo


Amor, singela luz agradecida;
amor, formoso oásis no deserto;
amor, que torna o espírito liberto
das sombras da matéria e embala a vida...

Amor, nas lutas, lâmpada escondida;
amor, nas dores, bálsamo, decerto;
amor, seguro leme em mar aberto
que, a conduzir-nos, dócil, na corrida,

refresca a dor humana... O amor é brisa...
Mas não o amor mesquinho, o amor adverso,
mesclado de egoísmo, que escraviza;

E não no possuir - no seu reverso!-,
no dar, então o amor se concretiza 
na força mais pungente do universo!

Gilberto de Almeida
25/11/2015




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Paradoxo natalino


A data comercial 
mais lucrativa do ano
é, se, acaso, não me engano,
exatamente, o Natal.

Mas, pensemos um segundo:
- Que destino teve o dia
d'Aquele que nos dizia
não ter reino neste mundo?

Gilberto de Almeida
25/11/2015



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Soneto de natal



Da manjedoura, há dois mil anos, surge à mente,
dos labirintos da memória, tênue aviso
de paz, a incomodar-nos, num conciso
lembrete vivo, tão singelo quão pungente.

Mas, tal mensagem, enxergamos pela lente
duma ilusão..., da nossa falta de juízo!
E, entorpecidos, esquecemos do sorriso
de amor do Cristo, a conclamar-nos, docemente...

Quisera Ele, acaso, o nosso desvario
de comilança, consumismo e ostentação
por celebrar-lhe a imagem pura e imorredoura?

- Ou que abrigássemos quem sofre e passa frio
no tabernáculo de austero coração,
servil e humilde imitação da manjedoura?

Gilberto de Almeida
23/11/2015



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De tanto amar, deixo-te partir

























Eu não sei dizer adeus, nem sei que palavras
Podem mais machucar... eu só aprendi, eu só
Sei te amar. Talvez seja até egoísmo, mas como
Posso querer a outro se não a ti...

Em meus sonhos mais escondidos...
Em minha vida mais colorida, foste tu, em
Meus dias e em minhas noites, o amor
Mais lindo que eu poderia ter...

Eu bem queria, mas eu sofro por saber
Que só posso adiar... Dizer adeus também
Faz parte do amar, afinal o meu eu prefere
Hoje sofrer do que saber que quem sofre
Por não poder eu realizar teus sonhos... é ti.

Eu muito te amo, todos os anos que passamos
Juntos já sabem... todos os amigos, todos os
Copos e todos os bares, sabem do amor, porém
Eu tenho que te dizer um grande adeus...

E se um dia, se de novo o destino nos colocar
Lado a lado, seremos apenas um doce retrato...
A imagem de um adeus que pôs fim a um 
Grande amor... Seremos dois... um dia fomos paixão.


Josué Brito

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Buraco negro

Um conto de 2011, inspirado num vídeo...
JG




Você acha que tem um trabalho muito ruim, imagine se eu lhe contar o meu.
Tá certo, não é dos piores, mas exige um comprometimento lascado. Pior que o meu só o do camarada ali.
Imagine uma tarde de sábado, um escritório quente sem ar condicionado, que é responsável por um milhão de processos e somente um funcionário que ficou encarregado de tirar outro milhão de cópias destes processos, numa máquina de xérox mais antiga do que uma senhora de idade avançada.
Imaginou?
Pois é, esse funcionário existe, olha ele ali, com uma cara de dar medo.
Imagine também então a felicidade que ele deve estar sentindo, principalmente por saber que não vai ganhar nem um centavo a mais por isso, uma vez que está pagando horas que o seu terrível chefe – palavras dele - descontou dos dias em que ele chegou atrasado.
Seu pensamento fixo é que a porcaria do relógio não sai das 15 horas, fica se arrastando, os segundos transformaram-se em minutos e os minutos em longas horas. O suor escorre por seu rosto e a água fervendo do bebedouro não ajuda em nada no seu ânimo.
A ansiedade é gritante porque faltam somente umas cem cópias, depois é só organizar tudo dentro das pastas específicas, separar por prioridades, catalogar no livro de ações e depois registrar tudo em outro livro de serviço. Ele fica “feliz” em lembrar disso, assim, devido a essa droga de burocracia vai sair lá pelas 10 horas da noite.
Mas também, nem sei por que ele está com pressa de ir embora, sua geladeira lhe espera vazia no seu também sufocante apartamento de três cômodos, não existe ninguém esperando o seu retorno de braços abertos, o dinheiro do pagamento do dia anterior só serviu para pagar os gastos atrasados, literalmente não estava trabalhando nem para comer.
Durante a semana teve a infeliz idéia de desabafar sobre os seus problemas com seu “querido” chefe, sonhando com algum reconhecimento por algo que ele não merecia, e assim quem sabe recebendo de presente um aumento. De fato recebeu, não está vendo? Um aumento de trabalho através dessa escala não remunerada.
Está se entupindo com mais um copo de água, que apesar de estar horrível é melhor do que o ronco que incomoda seu estômago.
Vamos, vamos copiadora jurássica, só mais cem cópias - leio em seu pensamento, enquanto aperta diversas vezes o botão verde. Mas vejam só isso? Parece que a máquina vai lhe deixar na mão. Tampem os ouvidos que estou sentindo que lá vem um palavrão: %&*##$@¨%!!!
Bom, o xingo não resolveu, mas ele não se dá por vencido, quem sabe uma bicuda.
Caramba! Creio que a máquina é dura, escutei o baque daqui, só faltava ele entornar a ponta do sapato velho ou quebrar um dedão, epa, voltou a funcionar, faltava só um empurrãozinho.
Mas ele não está com sorte, vejam que bela impressão: um círculo preto. Ele deve ter ferrado a copiadora e só faltava essa, agora que ele só sai dali amanhã, se a sorte ajudar.
Eu no lugar dele amassava a prova do crime rapidinho e triturava, mas ele não, parece calmo até demais ou cansado o suficiente para não dar bola para mais nada. Pega a estranha impressão e forra um pedaço lateral da máquina.
Mais uma olhada no relógio, mas uma golada de água quente, e agora creio que ele vai tentar retomar o trabalho. Mas o que é isso, cadê o copo, sumiu quando ele o colocou sobre o círculo preto. Essa seria a hora de parar tudo, dar meia volta e ir embora, escute o que eu digo, tenho experiência no assunto. Mas não nosso amigo, ele é curioso, precisa saber o que aconteceu.
Encosta primeiro um dedo no círculo e o afasta, parecendo ter levado um choque. Mas foi só reflexo, pois enfia a mão dentro do círculo agora sem receio e como um mágico tira não um coelho, mas o copo lá de dentro.
Agora também seria uma ótima hora para dar no pé, mas você já sabe que isso não vai acontecer. Então vou continuar narrando tudo que vejo.
Ele levanta a folha com o círculo no ar e lhe dá uma boa olhada, não há sombra de dúvidas que seja um papel comum. Mas ele enfia um braço no círculo e a mão não aparece do outro lado, como se fosse para outro lugar...
Espere, isso é coisa do, do, não posso falar o nome dele, vamos usar um sinônimo, sim, é coisa do mal, só pode ser. E como tal não se pode esperar que o final dessa história seja feliz, meu sétimo sentido está prevendo isso.
Mas esperem, creio que o nosso amigo encontrou uma utilidade para a folha mágica, mas o que será que ele está pensando? Não, não pode ser isso, pare com isso cara!
Ele se aproxima com a folha e a encosta numa máquina de guloseimas e faz o teste, que dá certo! Consegue atravessar a mão pelo vidro através do buraco e volta com uma barra de chocolate.
Não posso culpá-lo, o dia todo sem comer, mas isso se chama furto, meu filho.
Até concordo que fazer um plantão inteiro sem forrar o estômago é complicado, mas ele chegou ao fundo do poço se teve que apelar para tal atitude, por mais absurdo que seja o método utilizado.
Você concorda comigo que agora novamente é o momento fatídico para se brecar toda uma situação que pode ter conseqüências desastrosas. Mas creio que assim como eu você também está começando a prever o futuro do nosso amigo e não prevejo que ele seja dos melhores.
Falando nisso lá vai ele em direção ao escritório do seu amado chefe, imagino que ele vai aprontar alguma, mas nem faço idéia do que.
Para abrir a porta foi fácil, é daquelas que tem um dispositivo interno que libera a tranca, bastou colocar a folha com o círculo colada na porta, atravessar a mão pelo papel mágico e abri-la por dentro.
Creio que ele vai bagunçar a mesa do chefe, mas espere, ele passou direto por ela e veja só que interessante, tem um grande cofre no fundo da sala. Agora imagino em que trapalhada nosso amigo vai se meter.
Ele nem olha para os lados, sabe que está sozinho, sabe o que quer fazer e não reflete um segundo.
Uma esperança! Ele volta para a mesa do chefe, talvez tenha mudado de idéia, vai só fazer algum brincadeira sem graça e dar no pé, retornar à copiadora, terminar seu serviço, passar uma borracha nos últimos minutos.
Nada disso, somente encontra um rolo de fita do tipo Durex e volta correndo para o cofre. Cola desesperadamente a folha na parede de aço maciço e enfia um braço, quase que imediatamente o retirando com um maço de verdinhas, o qual ele admira por alguns milésimos de segundo, antes de voltar a enfiar o braço novamente e sair com outro maço, agora mais desesperado ainda.
É, ele está cavando um buraco sem fundo para ele mesmo, sabemos disso. O que? Você não sabe de nada, não está acreditando em nenhuma palavra do que eu disse, não é mesmo. Eu sabia que isso ia acontecer, mas para seu conhecimento eu não posso mentir, tenho um juramento sagrado que me impede.
Mas não pense você que eu não tenho provas, sou um ser moderno e sempre carrego comigo preso na cinta uma máquina fotográfica que também filma, maravilha de tempos modernos! E advinha só, filmei tudo, do começo ao fim, bom, quase isso!
Ainda não acredita, então olhe abaixo o registro que eu fiz, olhe e perceba o tamanho da burrada desse nosso amigo.








E aí, o que achou? Eu não falei que isso não ia acabar bem. Mas é fácil de explicar o que o motivou a não parar quando chegou ao terceiro ou quarto maço de notas fresquinhas: a ambição humana, sempre ela!
Quando ele colou a folha com o círculo negro, eu já suspeitava que ele quisesse ficar livre com as duas mãos para poder “trabalhar” mais facilmente. Agora entrar no cofre era algo que eu jamais suspeitava que o doido fosse fazer, não imaginei que existisse alguém tão pirado assim.
Acredito que você esteja se perguntando por que eu não interferi, sendo que acompanhei tudo que aconteceu. Também é fácil de explicar isso, pois estou preso ao juramento do livre arbítrio, ou seja, deixar que os homens tomem suas atitudes de acordo com as suas próprias decisões.
É claro que eu lhe mandei bons pensamentos, implorando que ele não fizesse aquilo, que largasse tudo e fosse embora, mas parece que nesse caso o mal falou mais alto, ou melhor, sussurrou mais forte em seu ouvido.
É, o negócio e ir embora, apesar das batidas que ele está dando nesse momento para tentar sair do cofre incomodar meu coração. Quem disse que a vida de anjo da guarda é fácil, também tem que fazer serão em sábados sem ganhar hora extra. Brincadeira!
Bom, vou indo, acabou de encerrar meu turno...
Brincadeira de novo, só vou buscar uma ajuda para salvar nosso amigo trapalhão. Quem sabe acordando o vigia que pegou no sono na frente da teve no refeitório.
Mas antes de ir embora, você deve estar imaginando como toda essa história terminou, porque infelizmente a bateria da minha filmadora acabou e não deu para registrar tudo.
Para resumir, consegui estimular o vigia para que fizesse uma ronda na empresa. Ele se deparou com o escritório vazio e a porta do chefe aberta. Já suspeitou de tentativa de furto ou algo do gênero, mas creio que a sua reciclagem estava um pouco atrasada, isso se ele fez algum bom curso na área de segurança, pois não chamou ninguém pelo rádio e foi invadindo a sala.
Ele ouviu o barulho do nosso amigo batendo dentro do cofre e rumou em sua direção. O que ele não viu foi o círculo preto no chão quando ele chegou na frente do cofre, e acabou indo parar dentro do aterro abaixo do prédio. Se ele saiu de lá, preciso perguntar para o seu anjo da guarda, depois eu lhe conto.
Quanto ao nosso amigo trapalhão, bom, não teve jeito, lá vem ele, chegando aqui no andar de cima.
O círculo preto? Assim como surgiu, desapareceu, só ficou uma folha branca jogada no chão. Até hoje os peritos não sabem como foi que o nosso amigo conseguiu entrar no cofre e se fechar lá dentro, o caso entrou para os crimes sem solução.
Mas eu creio que ele surgirá novamente em outro lugar, numa outra época, provavelmente para testar outra pessoa.

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Pranto de Mãe


A muitos filhos
Dei à luz
Todos tão diferentes
Mas tão iguais
No amor que me inspiram
Todos acolho
Em meu regaço
Todos quero proteger
Mas meus braços
A força perdem cada dia;

Minha carne também se fere
Sangra como qualquer ser
Meus filhos esqueceram-no
A todos quero ajudar a respirar
Meus pulmões de ar também precisam
Meus filhos esqueceram-no
Meu ventre nova vida quer oferecer
Mas precisa de terra fértil
Meus filhos esqueceram-no;

De meus olhos escorre o sal
Do mar que se perde
Assim é o meu pranto
Pranto que não vêm
Que não ouvem
Pranto de Mãe Terra.


Isa Lisboa

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Deixar a vida levar parece ser fácil, mas não é...







Deixar a vida levar parece ser fácil, mas não é...

Por Claudiane Ferreira

Você já teve a oportunidade de pegar uma estrela do mar? Apesar da sua aparência dura ela é flexível podendo se retorcer toda bem facilmente. Existe certas situações que, de uma hora para outra, acontece em nossa vida que o mais sensato a fazer é personificar uma estrela do mar .     


Cada ser humano que vive nesse planeta tem uma missão a cumprir, tenha você  consciência  ou não desse fato. Mas não é tão fácil descobrir nosso papel no teatro da vida terrena. O que importa é estarmos conectados nesse buscar. Uma grande aliada é a natureza; pois ela nos fornece exemplos valiosos.

O cavalo marinho  move-se devagar na água e para não ser levado pela correnteza, enrosca a cauda em algumas algas ou corais. Às vezes, só o que nos resta é nos enroscarmos na fé; e por que não em nossa intuição? 

A águia para não morrer terá que voar com suas asas envelhecidas para a montanha mais alta e enfrentar um dolorido processo de renovação.

Felizes são os que conseguem captar mensagens microscópicas, e mesmo no íntimo, temendo o desconforto, pelo menos a príncipio, que uma mudança provoca, aquieta a mente

Iluminados são aqueles que tiram a poeira da ilusão, do apego às coisas materiais e, desprovidos de egos, para de remoer o passado e de especular o futuro .

O agora é o único momento, permita-se!










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O PROJETO - Capítulo 8



A gargalhada de Quiriat ainda ressoava quando, subitamente, vindo de fora da casa e entrando pela janela, uma luz azulada inundou toda a sala. Desde a saída dos jornalistas, ufólogos e outros curiosos, aquele fenômeno cessara e somente agora reaparecia. Porém, a não ser pela interrupção da gargalhada, o acontecido não perturbou o grupo que estava na sala, sentados ao redor da mesa. Todos ali sabiam o que significava: havia sido aberta uma brecha no espaço tempo, permitindo a passagem entre dimensões paralelas. Se algo, humano ou sobre-humano, passaria por ela, isso ainda não se podia saber. E a conversa prosseguiu normalmente. Todos estavam ali com o mesmo objetivo.
- Desculpe-me, eu não quis ofendê-los com meu riso – disse Quiriat dirigindo-se ao grupo. Acontece que fui pego de surpresa, pois, enquanto eu falava, eu me referia a um tempo remoto e Alves falara com referência ao seu próprio tempo, isto é, o tempo desta dimensão em estamos conversando agora. Mais uma vez, peço desculpas a todos pela minha insensibilidade – disse Quiriat.
- Eu dava um exemplo, quando falava das revoluções francesa e comunista. Onde está a graça disso? – Disse Alves.
- Não é que tivesse alguma graça no que falou. Na verdade, eu ri de mim mesmo, pois eu pensava em outra rebelião. Esta sim... – dizia Quiriat quando foi interrompido por Alves.
- Como assim? Acaso acha que as revoluções que mencionei não foram significativas e mudaram o rumo da civilização? – Disse Alves.
- Não disse isso. É que elas são insignificantes quando são comparadas com a que eu estou me referindo e que aconteceu nas regiões extradimensionais. As que foram mencionadas são meras rebeliões humanas e não têm o alcance daquela a que eu me refiro, no que diz respeito ao destino da Humanidade. Estas, meus caros amigos, são como as rebeliões de aldeões contra senhores feudais, as religiosas e as anarquistas, que não obedecem qualquer plano prévio, exceto que a tudo destroem com a esperança ingênua de que algo melhor venha tomar o lugar do que foi destruído – disse Quiriat.
- E o que me diz de um Golpe de Estado ou da insurreição da massa? – Perguntou João.
- Nada mudam. Os Golpes de Estado são inspirados por uma minoria rica e quanto às insurreições, dá no mesmo, embora geralmente iniciadas por guerra de guerrilhas, elas também dirigidas por alguns poucos poderosos que somente procuram obter o apoio popular – disse Quiriat.
- E as religiosas? Devo lembrar que a igreja cristã tem promovido várias revoluções – Disse Maria, que até então estivera apenas acompanhando o diálogo entre Alves e Quiriat.
- Sim, é verdade. Mas, também é curioso que em todas elas, os exércitos em marcha sempre pedem que o seu Deus os ajude... – falava João, quando foi interrompido.  
– E tornou-se uma tradição o lado vencedor atribuir a vitória como resultante da benção divina – completou Quiriat.
- Sim, mas vocês hão de concordar que em muitos casos elas se têm mostrado por demais pacíficas, ou mesmo acovardadas, diante dos grandes males sociais – disse Alves.
- Este é o ponto onde eu queria chegar. Dificilmente o Novo Testamento pode ser usado como texto de orientação para tais revoluções, embora muitos religiosos sintam em suas consciências, e até afirmem, que certas guerras são justas – disse Maria.
- Justas?! Pode ser correto e justo um país enviar tropas com o propósito específico de matar homens e a população em geral de outros países? – Disse Alves, ainda sem querer acreditar no que acabara de ouvir.
- Os pacifistas respondem com um sonoro “não”! – Disse João.
- É justamente aí, e com certa razão, que aqueles que afirmam que há guerras justas, respondem de modo imediato dizendo que os pacifistas alegram-se em participar da liberdade e dos benefícios de uma guerra da qual eles não quiseram participar – disse Maria, como a concluir o que dissera antes.
- Se é esse o caso, eu sugiro que coloquemos a questão de outra forma: sob que circunstâncias podem-se preferir cometer um erro menor, a fim de evitar um erro maior? – Disse Quiriat, olhando para cada um ao redor da mesa, como se quisesse atingir seus corações.
Foi somente depois de um breve silêncio, pois aquelas palavras pareciam ter atingido os alvos pretendidos, foi que Alves se manifestou.
- Não é fácil uma resposta a essa pergunta. Mas, eu penso que problemas gigantescos não têm respostas fáceis e simples, se é que tem uma para esta questão. Quando a matança em massa está envolvida, parece indiscutível que ninguém jamais poderá definir, de forma adequada e convincente, no que consistiria uma guerra como sendo “justa”. Porém, piores ainda são as chamadas “guerras santas”, quando os homens enganam a si mesmos, ao pensarem que a guerra deve ser feita em nome de Deus e em defesa da fé religiosa, qualquer que seja a religião. Somente fanáticos iniciam as “guerras santas”, pelo que de santas elas só têm o nome.
- Uma vez que a conversa tomou este rumo, eu não sei se têm notado, mas, ultimamente, neste tempo dimensional em que nos encontramos, devido a muitos movimentos revolucionários no mundo, a religião está em seu centro forte e giratório, nas muitas chamadas Conferências de Paz, atuando em todos os continentes e em alguns dos lugares mais conturbados do planeta e disso resulta o que eles dizem ser a aplicação de padrões e esperanças cristãs aos esforços revolucionários – Disse Quiriat.
- Eu tenho pensado ultimamente sobre isso, mas depois do que falou, vejo que não dei a devida atenção ao assunto. Apesar de haver muitos e grandes males sociais a evitar, muitas vezes as forças de oposição são elas mesmas, malignas, ateias e antialma, que vêm substituir as antigas opressões com novas opressões, as antigas ditaduras com novas ditaduras e promovem revoluções militares, mas que não tem nada acerca do que me parece ser o mais importante, da revolução moral ou, se preferir, espiritual – disse Alves.
- Na realidade, seus atos manifestam-se de modo oposto aos ensinamentos de Cristo, como são encontrados na Bíblia – disse Maria.
- Historicamente, isto mais parece com uma variedade de anarquismo cristão que, presumivelmente, deriva seus princípios dos ensinamentos de Cristo, advogando a total isenção de leis humanas, como sendo inerente à liberdade dada por Cristo. Proponentes desta variedade de anarquismo puderam ser encontrados no passado entre os Levelers e Diggers, os Anabatistas, os Daukhobors entre outros. Um escritor político inglês, William Godwin, na década de 1790, chegou a escrever que o progresso moral do homem seria gradual e terminaria no anarquismo. Está tudo na Internet, para quem quiser saber – Disse João.
- Mas... Há sempre um “mas”...

Continua...

EP. Gheramer





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Escalada


Gilberto de Almeida
15/11/2015



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Fujo de ti e de mim...

As minhas mãos moldam-te no vazio
acariciando a tua pele de veludo
Sonho-te na  doce ilusão de te ter...

Como eu te queria afagar com as mãos
entre laços e fitas de cetim
e as minhas mãos vazias de ti !

Escrevo  com palavras que não se ouvem
quantos sonhos morrem na dor
fujo de ti e de mim...


Manuel Marques  (Arroz)

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Des-iludir

                                                          Imagem: José Suassuna

ângulo fugás

sem sombra inexiste

persiga o equilíbrio

Claudiane Ferreira


" Chega de ilusões, encantos e enganos que nos embalam mais nos detêm"
Hermógenes



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O PROJETO - Capítulo 7

Imagem da Web (editada)


- Como missionários que são, o que o cristianismo tem a dizer sobre isso? – Perguntou Alves.
- Isso vai depender da ideia do que você chama de Cristianismo. Se com esta palavra você está se referindo às religiões cristãs e institucionalizadas, como o catolicismo, as igrejas ortodoxas, os milhares de confissões do protestantismo, elas continuam existindo enquanto tradições dos homens. Mas, se está se referindo à doutrina de Cristo, como é revelada nos Evangelhos, isto é, da religião de fé em Jesus Cristo, de sua ética, de sua promessa de redenção, infelizmente já não mais existe. Foi tragada pela ambição do poder dos homens que se dizem dirigentes ou líderes do Cristianismo, em todos os níveis – disse Maria.
- Mas, o Evangelho nunca foi tão pregado como o é hoje... Em cada esquina existe uma igreja... E querem dizer que tudo que pregam não passa de mentiras? É isso? – Disse Alves.
- É verdade, isso acontece. Mas, apesar disso, você acha que o Bem reina hoje sobre a face da terra? – Disse Maria.
- Não é preciso muito para responder que não. Nós vemos todos os dias, através da mídia, somente maldade, crueldade, hipocrisia... Enfim tudo o que é mal. Mas, isto não é de hoje; hoje ficamos sabendo por causa do avanço dos meios de comunicação, que nos informam em tempo real, como é o caso da Internet, por exemplo - Disse Alves.
- Você tem razão quando diz isso, porém, o mal que hoje você fica sabendo praticamente de forma instantânea, é quase tão antigo como o tempo e tem sido transmitido, desde então, a todas as dimensões existentes. As guerras, revoluções, rebeliões que aconteceram e continuam acontecendo é o resultado dessa transmissão – disse João.
- A transmissão do mal do qual falam é o mesmo que a Bíblia chama de “pecado”, resultante do ser humano haver comido do fruto da árvore do conhecimento do Bem e do Mal e que seria uma maçã? – Disse Alves.
Neste momento, foram interrompidos por batidas na porta. E qual não foi a surpresa de Alves ao abrir a porta e ver, em pé à sua frente, ninguém menos do que Quiriat. E sem saber por que, sentiu um enorme alívio no peito.
- Entre, entre, meu amigo – disse Alves ao mesmo tempo em que o apresentava a João e Maria.
 - Quero apresentar-lhes o meu amigo Quiriat.
Após os cumprimentos, Alves, puxando um caixote, convidou-o a sentar-se e fez um breve relato do que estiveram conversando, pois sabia que interessaria a Quiriat.
- Este é apenas um relato humano – disse João, parecendo querer justificar o que havia falado.
Como se estivesse ali desde o princípio da conversa, Quiriat não tardou a falar.
- Sim, concordo que é apenas um relato humano, pois, de que outra forma o homem entenderia, não é verdade? Trata-se apenas de uma coreografia para aquela época. Embora, sendo uma maneira de expressar a mais pura e plena Verdade – disse Quiriat, sem pressa de entrar na discussão.
- Como dizia – continuou João -, esta é a maneira que permitiu ao homem ter acesso ao conhecimento, embora a maçã seja uma representação, ou possua valor místico, se preferir.
- Por favor, corrijam-me se estiver enganado – disse Alves. Nisto consistiu a queda do homem, como é relatada na Bíblia, quando se atreveram a comer da árvore do conhecimento do Bem e do Mal. Está correto?
Só então Quiriat entrou na conversa.
- Você está perto da verdade. Todos os males somente vieram à existência, após uma rebelião para assumir o poder, acontecida em tempos remotos e numa dimensão paralela que é chamada de celestial ou espiritual – disse Quiriat dirigindo-se a Alves, ao mesmo tempo em que observava as expressões nos rostos de Maria e João.
- Tratando-se da luta pelo poder, faz sentido. Até onde eu sei historicamente, as revoltas sempre aconteceram quando os homens quiseram mudanças radicais e nas consideradas mais importantes sempre ocorreram enquanto um processo sócio-político, visando à derrubada de algum poder governamental ou das rédeas do mundo. E sempre utilizando o terrorismo, a sabotagem e os conflitos raciais – disse Alves.
- Mas, se você olhar por outro ângulo – disse Quiriat -, pode haver revolução sem qualquer mudança para melhor, e, sim, para pior, o que com muita frequência pode-se observar. No entanto, mesmo estas, são apenas rebeliões e não verdadeiras revoltas.
- Como não?! Tem havido grandes revoluções históricas, que não são apenas golpes de Estado e que produziram mudanças significativas. Por exemplo, a Revolução Francesa, do século XVIII, que acabou com o sistema político dos reis franceses em que tinham poderes absolutos, sem limitações ou restrições e que exerciam, de fato e de direito, todos os atributos da soberania, ou a Revolução Comunista, em 1917, que pôs fim ao regime Czarista na Rússia – disse Alves.
Para surpresa e espanto de todos, Quiriat deu uma sonora gargalhada.




Continua...

EP. Gheramer

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REFÚGIO

REFÚGIO
(Por Maristela Ormond)


Ouço um barulho, assim como um lamurio.
Passos apressados ecoam em direção ao ruído.
Pássaros assustados cobrem o céu como nuvem.
O que seria?
Penso em correr junto à turba, mas qual o quê...
Estagnada, descubro a atração das pessoas por refúgios, pela sobrevivência.
Descubro a metamorfose que afasta os predadores.
Escondida em meu refúgio observo e ouço o motivo de tal alarido.
Meu coração. Sim, meu coração!
O refúgio de mim mesma. E pela primeira vez percebo que tenho vida própria.
Não sou mais aquilo que esperam que eu seja.
Não espero que ninguém aprove aquilo que desejo e que sou.
Sou minha própria obra de criação, mestre de minha própria criação.
Meu refúgio de mim mesma, para a sobrevivência. 
Sairei daqui assim que tudo se acalmar...
Sairei do casulo. Colorida e transformada...


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O PROJETO - Capítulo 6



Há muitos dias Quiriat não aparecia para a conversa habitual, embora todas as noites Alves colocasse a cadeira na varanda. Exceto por causa disso, sua vida transcorria normalmente, com suas costumeiras caminhadas pela praia, percorrendo distancias maiores.
Com a entrada do verão, começaram a surgir aqui e ali, barracas onde grupos de pessoas ficavam acampados. Alguns ficavam somente os finais de semana, já outros permaneciam por mais tempo.
Em suas caminhadas, Alves nunca chegara tão longe e foi neste dia que percebeu por sobre a vegetação  que se estendia por toda extensão da praia, algo como uma laje. Logo viria a conhecer os vizinhos que não sabia que tinha, embora distantes.
Eles eram um casal de missionários que depois de percorrer o mundo, pregando a fé cristã, resolveram se recolherem para viver suas vidas reservadamente ou – quem sabe - conhecer um pouco de seus próprios mundos interiores.
Não tardou para que viessem a travar amizade quando, certa vez em que João e Maria caminhavam pela praia de mãos dadas, encontraram com Alves e, por razões que não mais se lembravam, deu início a uma relação que duraria.
Suas conversas, que a princípio aconteciam sentados na areia da praia em torno de uma fogueira, assando e comendo os peixes que haviam acabado de pescar, logo se estenderam às suas respectivas casas. Da primeira vez em que Alves fora convidado, pode ver que sobre a laje da casa havia uma luneta que mais parecia um telescópio, dado o seu tamanho. Sua impressão foi confirmada quando ficou sabendo que vieram morar ali porque havia chegado a seus ouvidos, que naquela região foram observados certos fenômenos como os de uma luminosidade de cor azul no céu e que o povo do lugar achava estranha e a imprensa noticiara, fazendo com que a curiosidade fosse aguçada por pessoas ligadas a grupos que acompanhavam as supostas aparições de objetos que, segundo eles, seriam de seres extraterrestres. Mas, para decepção de todos, tais fenômenos cessaram desde que eles chegaram. Tais pessoas vieram de outras cidades e até de outros países e não confirmando o boato, não demoraram em deixar o lugar. Só João e Maria ficaram por ali, não pelo motivo que Alves havia suposto, mas, sim, porque ficaram encantados pela beleza do lugar.
Enquanto tomavam um chá, de um raro tom verde azulado, que o casal trouxera da China, a conversa naquela noite girou em torno daquelas pessoas que deixaram o lugar.
- Estivemos conversando um pouco antes de você chegar, a respeito do que trouxe estas pessoas a este lugar e pensamos em perguntar se você acredita nisso, isto é, se acredita que são seres extraterrestres que aparecem por ocasião do surgimento da luz azul no céu? – Perguntou Maria, dirigindo-se a Alves depois de olhar para João.
- Não, não acredito em seres vindos de outros planetas ou galáxias – disse Alves dando um leve sorriso, depois de saborear um gole de chá e olhar para Pafúncio, que dormitava ao pé de sua cadeira.
- Já que somos vizinhos e agora amigos, nós não precisamos fingir que não sabemos que seres, no mínimo diferentes, aparecem e desaparecem por ocasião do aparecimento da luz. Não é verdade? – Disse João.
Por um breve momento, Alves se lembrou de Quiriat e do que os dois já haviam presenciado, quando estavam a conversar em sua varanda.
- Se não é um blefe, um ardil, seria possível dizer que vivem aqui na Terra. Talvez vivam numa dimensão paralela e que passam por uma abertura entre a dimensão em que vivem e a que nós vivemos – disse Alves, ainda receoso do efeito de sua resposta.
- Nós já viajamos por este mundo todo e podemos afirmar que não são seres humanos – disse Maria.
- São seres sobrenaturais que podem assumir a forma de seres humanos quando entram em nossa dimensão. E eles não estão a passeio – Disse João, enquanto Maria tomava seu chá olhando para Alves.
- Vocês estão se referindo a algo que não é conhecido senão pela fé? – Disse Alves.
- Não necessariamente. Também pode ser reconhecido por alguns tipos de pessoas e se você admite uma dimensão diferente da nossa, talvez seja uma delas – disse João.
- Você falou numa “brecha” entre duas dimensões diferentes e que eles passam por ela. Se estiver afirmando isso, é porque já teve esta experiência e saiba que alguns chegam e outros vão – Continuou João.
Alves nunca sentiu tanto a falta de ter Quiriat ao seu lado, como sentia naquele momento.
- Em certas circunstâncias, talvez possamos dizer isso. Mas, eu penso que o mais importante é saber se podemos ter a certeza de que tais dimensões ocupam um mesmo espaço em tempos diferentes. Se for possível provar que podem coexistir, então tudo ficaria mais fácil de ser entendido – disse Alves.
- Como missionários nós tivemos a oportunidade de comprovar, que em todas as diferentes culturas que conhecemos existem crenças que atribuem a existência do nosso mundo como sendo o resultado das lutas de múltiplos deuses – Disse Maria.
- Sim, é verdade. Nós, particularmente, acreditamos que o universo físico veio a existir a partir de outro não físico – disse João.
- O que acaba de dizer coincide com o que a maioria das pessoas chama de mundo espiritual. Seria outra dimensão existencial – disse Alves.
- Se nosso raciocínio está correto, então estamos mais próximos de descobrir a verdade. Não seria mais uma questão de fé – disse João.
- Como missionários que são, o que o cristianismo tem a dizer sobre isso? – Disse Alves.

Continua...

 EP. Gheramer





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