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Palavras foram feitas pra contar a vida


Imagem: José Zuzza Suassuna de Oliveira



          "As palavras, como os pássaros têm canto e plumagem"
                                                       Guimarães Rosa



      Há pessoas que tem o dom de articular palavras produtivas 
outras,
entornam dejetos...

            Há palavras que quando pronunciadas nos abraçam, nos fazem querer transcender 
outras,
dilaceram-nos, psicologicamente coloca-nos algemas...

            Pois é... Nem todas as palavras escritas ou faladas são como pássaros... 

              A palavra empatia  tem canto, encanto e uma bela plumagem não é mesmo?

Claudiane Ferreira

♪ E me calei
Pra te mostrar
Que a dor do meu silêncio
Foi menor do que meu falar
 Paula Fernandes



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TEMPESTADE


TEMPESTADE

Há uma tempestade que se aproxima,
não há nada nela que se anima,
tudo virará uma grande pantomima.

Definitivamente, estabelecerá um grande ultraje,
os corruptos com seus corruptores,
passaram a ser os tutores,
que resultará em um show de horrores .

Então será a usura do “ capital “,
em detrimento do pouco que há de Social,
que muito provavelmente virará um caos.

Mas enfim, vivemos em um pais tropical,
onde há muito de surreal,
povoado de uma maioria de gente esbelta e esperta,
que pela legislação eleitoral que tem,
não tem pra ninguém.

Aqui se elege os políticos de sempre,
entra eleição e sai eleição,
são sempre os mesmos dementes,
enfim “ eles “ nada mais são que espelho
da “ sociedade “ que esta por demais doente,
pois que na realidade não há eleitores,
o que há são “ cúmplices “ de malfeitores.

A Tempestade se aproxima,
com muito raio e trovão,
resta saber se as ruas ficaram nuas,
ou haverá um enchente de indignação

( 27/04/2015 )


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Flor Mulher

Mulher de encantos
que me transformas os sonhos
em ilusões passadas e perdidas...

Mulher dos meus prantos
menina mulher
de noites sofridas...

Tu és flor mulher
menina cheia de alegria
o amor te ensina , a ser menina....

Manuel Marques (Arroz)

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Delirante vida /Frenesi

Imagem: Claudiane Ferreira


Série: Delirante vida / Frenesi    

Da janela
dessa delirante vida
extasio com a revoada dos pássaros
me alimento de liberdade...

Baby vida eu quero ser sua amante!

A leve brisa dedilha uma música
olho o movimento das folhas dos coqueiros...

Ah, baby vida ...  Que  tal me acompanhar num tango?
                                                       Claudiane Ferreira

" E aqueles que foram vistos dançando foram julgados  insanos por aqueles que não podiam escutar a música."
                                                                           Friedrich Nietzsche



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Desapego



























São estes os dias em que vivo mais
Que meu tempo... A me perfumar
Pelas rosas que me perseguem, vou
Eu postergando o tempo da viagem...
Do encontro entre eu e minha alma.

Caminhos mal delineados pelas
Águas que deslocam pedras vão
Levando minha razão em enxurrada,
Vou me desencontrando mais e
A vida vai se tornando cela.

Os papéis que dantes registravam
Minha glória e minha miséria, hoje
Apenas embrulham os pães que vão
Aos pássaros que emprestam asas
Aos sonhos... fármaco para querelas.

O sol que antanho emprestava brilho
Para as noites de engano e ilusão
Profunda, agora ilumina os cismar
Solitário da cadeira que jaz vazia,
Assistindo os dias, vendo as mazelas.

Josué Brito 

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A sensibilidade é um nervo exposto

Zé Suassuna Oliveira


" Sou frágil o suficiente para uma palavra me machucar, como sou forte o suficiente para uma palavra me ressuscitar"

                                                                            Bartolomeu Campos de Queirós


Já lá se vai o tempo que andavas vestida de poesia
Estás nua e as palavras nadam contra a maré.

Já lá se vai o tempo que andavas bronzeada de encanto
Estás nua e nem o sol lhe aquece.

Já lá se vai o tempo que colavas em seu "eu", frases de figurinhas da série Amar é...
Estás nua, fria... 

Fria, nua!

Mas 
há que se ganhar
a poesia, o bronzeado, o calor ...
Renascimento.

Claudiane Ferreira

Dedico essa prosa poética ao amigo Zé Suassuna que além de preencher minh'alma com a imagem dessa folha de ipê , aqueceu-me com carinhosas palavras e sem sentir também me deu de presente o título.

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3 - Benjamim






Mesmo sem conhecer os acontecimentos relacionados a um tempo que viria e antes de deixar a cidade onde morava, Benjamim tinha grandes esperanças para quando se mudasse para aquele lugar que mais tarde ele chamaria de Cidade de Refugio. A oportunidade de viver uma nova vida teria que atender a uma necessidade pessoal e que consistiria em definir os pilares sobre os quais tudo aquilo que viesse a viver se apoiaria.
Antes de qualquer outra coisa, algo que considerava imperioso, dizia respeito à religião: ela não seria um desses pilares. E o que era, no seu entendimento, a religião? Por que não seria um dos pilares? Para ele a religião consiste de práticas e de crenças organizadas, formando um sistema privado ou coletivo, mediante o qual uma pessoa ou um grupo de pessoas são influenciados. É uma instituição com um corpo autorizado de participantes, aceitando um conjunto de doutrinas que se propõe a oferecer algum meio de relacionar o indivíduo àquilo que é considerado ser a natureza última da realidade. Um corpo de doutrina criado por homens; um sistema, uma teologia.
Acreditava que em qualquer religião está presente um sentimento fixo de medo, resignação, admiração ou aprovação, sem importar qual seja o seu objeto. Uma definição eclética e funcional é o reconhecimento da existência de algum poder superior, invisível; é uma atitude de reverente dependência a esse poder, na conduta da vida e manifestando-se por meio de atos especiais, como ritos, orações, atos de misericórdia, etc., como expressões peculiares e como meios de cultura da atitude religiosa.  Para Benjamim, a religião havia se tornado tão somente um corpo de tradições humanas.
Ele ficava admirado ao ver quão pouco a fé religiosa contribui para que tantas pessoas amem a seus semelhantes e se mostrem tolerantes para com seus pontos de vista se, porventura, não concordem com essas opiniões divergentes. Um dos grandes escândalos da história da religião consiste em quantas fés religiosas, de todos os naipes, têm perseguido e morto “a oposição” – intolerância.
Por outro lado, para ele a tolerância é apenas uma etapa. Por detrás dela deve haver a compreensão, e por detrás da compreensão, o amor. Diferentemente do homem religioso, o homem espiritual, longe de mostrar-se perseguidor, mostra-se tolerante, daí ele avançará para o entendimento esclarecido – discernimento -, e daí partirá para a lei do amor que abranja a todos os homens, da mesma maneira que Deus amou o mundo.
Fazia questão de repetir para si mesmo que fundamentaria todos os seus atos e palavras nos Evangelhos - como sendo um documento tanto histórico quanto existencial -, como o plano de libertação revelada ao homem através de Jesus. Daquele dia em diante, não mais viveria para agradar ao homem e nem, principalmente, a si mesmo.
Para viver desta maneira, Benjamim acreditava que seria necessária a interferência do elemento místico em sua vida, para que não se desviasse, nem para a esquerda e nem para a direita – queria seguir o caminho reto da Verdade. Acreditava, ainda, que se algum dia teve o homem uma consciência religiosa verdadeira, fora somente no início da pregação das palavras de Jesus, no primeiro e segundo séculos, no máximo; depois virou doutrina humana e desandou.
Acreditava na existência de um único Deus, criador de tudo aquilo que existe visível e invisível aos olhos humanos. Sendo onipotente, onisciente e onipresente. Por outro lado, não se prendia a nenhuma das religiões monoteístas (abraâmicas) que incluem a fé bahá'í, o islamismo, o judaísmo, o cristianismo, o zoroastrismo, o hinduísmo e o Sikhismo. A nenhuma delas Benjamim reconhecia qualquer direito sobre ele.
Tinha o Novo Testamento como um grupo de livros que revelava a nova aliança feita por Deus com o homem, em que a libertação vem pela graça, por meio da fé e não mais pela observância da lei, segundo o Antigo Testamento. É com este olhar que via a Bíblia. É através da significação da missão de Cristo que é revelada a vereda de escape do desespero absurdo da existência.
Com o passar do tempo, o ser humano foi retirando e acrescentando ensinamentos próprios e, ao assim fazerem, passaram a usar a autoridade como verdade revelada e não esta verdade como autoridade. Nasceu assim a religião que encarcera Deus dentro de limites demasiadamente humanos.
Além disso, acreditava que o homem está alienado de Deus porque um dia teve a presunção de saber, de modo absoluto, o que é o Bem e o que é o Mal, um pensamento que teve lugar num dado momento, no início de sua história. Para Benjamim, enquanto os homens não reconhecerem este erro, estarão fadados a viver, eternamente, o absurdo desespero em que transformaram suas vidas.
A superfície da ilusão é prazerosa, mas enganosa; é melhor viver uma vida em constante desilusão, mas na verdade.

Continua...

EP. Gheramer


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Não chora , não ria

Imagem: Claudiane Ferreira


Primavera no deserto
mimo de amor
aroma de fé.


Um dia você acorda em uma estação qualquer e tudo está florido.

O renascimento que  não esperava aconteceu... E você acaba voando nas asas de borboletas saltitantes. E tal como as abelhas, você saí por aí  adoçando mundos.

Aproveite esse tempo e guarde na memória... 

Quando em uma estação qualquer o inverno cair e você não suportar o frio da solidão, abra a caixinha da recordação

Claudiane Ferreira



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02 - Casa de Refugio


Para Benjamim, de certo modo, aquele lugar era uma Cidade de Refúgio, embora ele não fosse um homicida e nem estivesse sendo caçado por parentes de um morto. Seu crime era outro e quem o caçava era ele mesmo. Seu pensamento, no que dizia respeito aos costumes sociais, destoava da moral coletiva presente na sociedade desumanizada da qual fazia parte.
Algo acontecera com ele naquele dia em que acordou presa de um pensamento que era, ao mesmo tempo, perturbador e libertador. Perturbador enquanto seu modo de perceber as regras e costumes do mundo em que vivia não permitia que continuasse ali, da maneira que até então vinha se comportando, nos seus relacionamentos com as pessoas com as quais convivia e que eram seus amigos, parentes... Enfim com todos ao seu redor. Ele não sabia ao certo quando aquilo aconteceu, mas, não podia negar que acontecera. E, para melhor poder entender a situação em que se encontrava, necessitava de um lugar onde pudesse sentir-se livre de tudo aquilo que, necessariamente, advinham do convívio humano que a cidade cobrava. Decidira deixar de dar voltas em torno de um mesmo ponto e encurralar em um canto, de uma vez por todas, aquela questão e só descansar depois de encontrar a resposta.
Depois que se instalou na casa já preparada para ele, encontrava-se, finalmente, sozinho consigo mesmo.
Até aquele dia sua vida fora vivida no estado de profundo desânimo de uma pessoa que se sente incapaz de qualquer ação. Benjamim já vira o organismo microscópico, a molécula... Mas não vira Deus; viu o ininteligível, o inexplicável e até o inatingível... Mas não vira Deus. Já ouvira de muitas bocas palavras a esse respeito, mas não fora por causa delas que a consciência do que se passava em sua mente, de maneira inexplicável, era cada vez era maior, como maior era a certeza de que estava certo tal como estava certo de sua própria existência. Mas, então, por que não era aplacada a sua sede? Nascido numa sociedade e numa família cristãs, não podia furtar-se a pensar de maneira igualmente cristã. O ocidente era cristão. E, paradoxalmente, ele dava graças por ter aquela absurda fé no que não via. Agora teria a oportunidade de encurralar aquele absurdo num canto e sugar dele tudo o que nele houvesse; se se mostrasse uma vil, extrair dele toda sua vileza, mas, se se mostrasse verdadeiro, extrair dele toda a sua verdade e realeza.
Abriu a mala menor e dela retirou o livro que vinha escrevendo. Apertando-a entre as mãos, fez o juramente de somente deixar aquele lugar, vivo ou morto, somente depois de encontrar a Verdade que lhe disseram que estava à espera de quem se dispusesse a procurá-la.
Já era noite quando a luz da casa acendeu. O tempo passava. Ora sobre a cama, ora sobre a mesa, Benjamim trazia consigo aquele livro inacabado, desde aquele primeiro dia em que o abriu e iniciou sua escrita; a caçada havia começara. Desde então, fora ferido, repreendido, mas não havia como rejeitar tudo o que nele já escrevera. Continuaria a escrever enquanto os perversos praticavam a maldade. Então, eles seriam precipitados do penhasco, mas não sem antes lerem suas palavras, que lhes eram desagradáveis; ainda que fossem espalhados seus ossos à boca da sepultura, quando se lavra e sulca a terra; cairiam os maus nas suas próprias redes, enquanto ele, nesse meio tempo, se salvaria incólume.
Na nova morada, da primeira vez que se sentou para continuar a escrever, deu-se conta de que não tinha nada a dizer; forçou um mergulho no profundo de sua mente, mas, para seu desalento se sentiu incapaz de qualquer ação, pois, nada encontrou - ela estava vazia.
O que ele não sabia é que pensamentos desajustados aguardavam, do outro lado dos altos muros das Cidades de Refúgio, por todo aquele que se negasse a conviver na humanidade desumanizada; as muralhas os bloqueavam.

Continua...

EP. Gheramer







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Quando tudo passa...




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