Powered by Blogger.
RSS

Reprises de um filme sem fim

Eis um conto para os amigos escrito em 2009 que dispõe sobre os "círculos viciosos" que tomam conta da nossa breve existência...
JGCosta






João acordou cedo...
Desde quando nasceu todo dia mesma coisa: palavrões, gritos, tiroteios...
Agora com 12 pensou muito e chegou a uma conclusão:
“Essa vida não é pra mim!”
Estudou e se formou, arranjou emprego bom e cresceu profissionalmente.
Agora doutor com casa bela e bem localizada, visitava a mãe vez em quando na favela. Ela dizia que lá era seu lar e de lá só sairia num caixão.
E numa dessas visitas de João foi isso mesmo que aconteceu...
Mais uma vez cenas conhecidas de sua infância se repetiram e uma das munições se perdeu do seu destino e encontrou o peito da velha mãe.
De novo João muito pensou e a uma nova conclusão chegou:
“Saí daqui para driblar o sofrimento, mas foi inevitável deparar-me com ele. E o que foi que realmente eu fiz para mudar esta realidade?”
Ao invés de se revoltar, vendeu a casa, voltou pra favela e foi cuidar dos pequenos, ensinando para muitos como era a cara da esperança, um fantasma que assombrava outros cantos e que ali já se tornara lenda.
Ficou conhecido, arranjou esposa, teve um filho, o Junior, um novo João.
O novo João cresceu e um dia pensou que ali não era seu lugar. Estudou, para longe mudou e como o velho João doutor se formou.
E também numa de suas visitas ao pai aconteceu uma reprise e agora seu velho agonizava no chão de tábuas do barraco, com um presente de grego cravado no peito e antes que o ar lhe faltasse e a visão embaçada se apagasse ele agarrou o novo João pelo braço e após muito pensar chegou a sua última conclusão:
-- Filho, eu quis fugir e conheci um mundo diferente. Voltei e descobri que nada mudou! Não importa o tempo que passe, parece que existe uma força maior por aqui ou talvez seja assim mesmo que tudo tenha que ser. Eu sei no que está pensando, pode crer, eu sei! Pensa em voltar e tentar fazer algo de importante para que outros tenham a possibilidade de se encontrarem um dia num mundo melhor, eu sei disto tudo e lhe faço um pedido: continue sua vida longe daqui, constitua família e seja feliz, como eu tentei e acho que fui...
O velho João se foi. O novo João pensou muito, decidiu ficar e acabou formando uma família e...
É, isso mesmo, até hoje a história se repete e a só uma conclusão eu chego:

“Às vezes vale a pena tentar mudar, nem que seja para morrer tentando...”

  • Digg
  • Del.icio.us
  • StumbleUpon
  • Reddit
  • RSS

Quem disse que seria fácil?


Marcos 15. 33 - 38

A mente de Benjamim busca a certeza de certas coisas e não tem mais paciência para fazer investigações e é francamente anti-intelectual na abordagem do conhecimento.
Quer que a revelação bíblica seja suficiente e perfeita. Mas, por outro lado, essa crença é algo semelhante a um dogma, ou seja, ter que aceitar isso como certo e indiscutível, cuja verdade deve ser aceita sem questionamento... Benjamim não conseguia fazer isso! Não é isso que ele está buscando; ele anseia por um conhecimento perfeito...
Nos últimos dias, andava desanimado porque pensava que este tipo de conhecimento não deveria ser resultado de uma busca permanente, eterna, mas que fosse um ACONTECIMENTO único, DIVINAMENTE dado a ele.
Agora mesmo, leu no evangelho de Marcos quando ele fala da morte de Jesus: “Mas Jesus, dando um grande brado, expirou. E o véu do santuário rasgou-se em duas partes, de alto a baixo.”. Benjamim ficou curioso em saber que “véu” era esse e por que havia se rasgado. Então, consultando sua Bíblia, lá no Antigo Testamento, descobriu que este era o véu do santuário que separava o lugar chamado “santo” do outro chamado “santo dos santos”. Ficou sabendo que isso aconteceu porque, ao morrer, Jesus entrara, de uma vez por todas, na presença de Deus e, com seu ato, abriu o caminho para todos os homens; não mais sendo necessária a intermediação de sacerdotes para chegar à presença de Deus.
Um pouco antes Marcos conta: “Clamou Jesus em alta voz: Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?”. No passado Benjamim tivera variadas interpretações para tal grito, porém, nenhuma delas foi suficientemente satisfatória. Aliás, agora, nesta sua procura por Deus, já não bastava que fosse satisfatória – tinha que entrar e explodir em seu coração de modo PERFEITO!

Mas, quem disse a ele que seria fácil?!

EP. Gheramer


  • Digg
  • Del.icio.us
  • StumbleUpon
  • Reddit
  • RSS

Um Diário


Imagem da Web


O tempo, não importa quanto passe, é implacável! Não há nada oculto que não venha à luz. Por mais que tentasse passar despercebido, Benjamim não o conseguira, mesmo usando um pseudônimo nas publicações diárias feitas no pequeno jornal daquela cidade que ele gostava de chamar de sua Cidade Refúgio.
Escreveu ele em seu artigo no jornal de hoje, sumarizando o que pesquisara sobre o texto do dia 14 agosto:
Os escribas, no seu uso no Antigo Testamento, a sua arte confinava-se quase inteiramente em certos clãs, que preservavam essa arte como profissão de família, passando esse conhecimento de pai para filho. A conexão entre o sogro de Moisés, que era sacerdote, serve de indicação de que a arte de escrever nunca esteve muito distante do sacerdócio.
Contudo, nas páginas do Novo Testamento é que se encontra o testemunho final sobre o emprego da palavra “escriba”, indicando alguém que era um erudito e autoridade na lei mosaica. Os “escribas” são ali achados ligados ao partido sacerdotal (os saduceus, por exemplo) e também ao partido dos fariseus.
Porém, os escribas (ou eruditos) de ambos os partidos desafiaram Jesus, principalmente devido ao fato de que ele não observava as práticas tradicionais ditadas pela lei oral. Por exemplo: comer com as mãos sem lavá-las, o que era uma quebra da tradição oral; ou comer com os que não observavam suas tradições.
 Mas, o que era a lei oral? Entre judeus, era um código não escrito da lei de Moisés, para o bem de Israel, o qual passou a ser escrito, por fim, mas nunca foi registrado por completo e tinha – e continua tendo, entre os judeus - uma autoridade bastante separada do registro escrito (Lei).
Entre cristãos, era o corpo de doutrina e disciplina promovido por Cristo, parte do qual, em um momento posterior, foi preservado de forma escrita. Porém, acordo com alguns cristãos, adições podem ter sido feitas através dos escritos e ideias de influentes teólogos, professores e mestres cristãos e importantes bispos (século II e VII) da igreja, e esse material tornou-se uma autoridade adicionada para a crença cristã.
 As tradições judaicas se aplicavam a quase todas as situações que um homem enfrentaria em sua vida diária, portanto havia enorme peso de leis a seguir que agradavam a mente do judeu. A “lei da lavagem” era muito complexa, e os judeus davam grande atenção a coisas triviais, enquanto negligenciavam os materiais mais “pesados” da lei mosaica. Por exemplo, honrar pai e mãe era uma verdadeira lei (revelada por Deus na lei mosaica) que eles haviam transgredido, segundo conta Mateus, no capítulo 15, versículos de um a dez. Em outro evangelho, Jesus chama tais tradições de “tradição dos homens” (Marcos 7.8).
Nesta enfadonha pesquisa entre inúmeros escritos dos homens, encontrei o Talmude. Embora ele lide principalmente com a interpretação da Lei (Tora), também trata de religião geral, ética, instituições sociais, história folclore e ciência. Resumindo: conjunto de escritos posteriores que interpretam a Lei original, dada a Moisés e que servem para minimizar as deficiências na lei mosaica; o que é o mesmo que dizer que a Lei de Deus era incompleta! - Quanta presunção se ela for considerada como uma verdade revelada por Deus! Mas, como sempre, ali estava o homem para dar uma “mãozinha”... Deus precisava de ajuda...
Enquanto isso, na cristandade dos primeiros quatro séculos, uma nova autoridade cresceu, nos dizeres e os escritos dos doutores, teólogos e outros interpretes da Bíblia. Se assim é, pode-se dizer que o corpo dessa nova interpretação era um tipo de Talmude cristão!
E é isto que se observa nas tradições das diversas denominações religiosas. Embora proclamem muito alto sua doutrina da “Escritura apenas”, estas denominações, através das interpretações específicas de passagens da Bíblia, criaram sua própria tradição. Cada denominação, confessando ou não, com seu próprio Talmude através de interpretações das Escrituras que contradiz os Talmudes de outras denominações!

E os fariseus? Seu significado é “separados” e usualmente vinham dentre a massa de povo comum, e nisso faziam contraste com os saduceus, que geralmente eram provenientes da aristocracia. O movimento desse nome, no princípio, envolvia uma espécie de grupo reformador, que tencionava purificar e defender a crença judaica ortodoxa. Eram os porta-vozes das opiniões da maioria das massas populares. Mas isto não durou. Após alguns anos se intrometeram nas fileiras do farisaísmo uma grande quantidade de atitudes legalistas e ritualísticas, e isso serviu apenas para obscurecer os propósitos originais do grupo.
Assim, de acordo com o descrito acima, tenho que perguntar: que é lei? De volta aos livros, encontro que no seu sentido jurídico, a lei é um conjunto daquelas regras de conduta que um partido governante, juntamente com a comunidade por ele governada, reconhece como autoritário, e cuja desobediência requer alguma forma de punição, para assegurar que continuará em vigência. Muitos códigos legais também promovem alguma espécie de recompensa aos obedientes.
Na Bíblia, encontramos vários códigos legais e Israel sempre se distinguiu como nação profundamente interessada pela história, pela religião e pela lei. De fato, dentro da mentalidade hebreia, não há como separar esses três conceitos, porque, para um hebreu piedoso, todas as coisas tinham um forte sabor religioso. A lei mosaica, veio à existência a fim de definir como a nação de Israel, deveria relacionar com Yahweh e cumprir suas exigências. Nos preceitos da lei havia a vida (potencialmente). Fora desses preceitos havia somente destruição e morte.
O propósito dos códigos era moldar a vida do povo de Deus, a fim de prepará-lo para a conduta apropriada, e tendo em vista a glória de Israel, entre as nações, como a cabeça das nações. Para alguns, a esperança messiânica fazia parte da razão de boa conduta, por parte do povo de Deus.
Essa preocupação com a lei foi transferida para o Novo Testamento, onde, entretanto, recebeu novo caráter. Jesus foi o novo Moisés que nos trouxe um conhecimento profundo e uma aplicação mais perfeita dos princípios ensinados no Antigo Testamento.
Nos evangelhos, os preceitos de Jesus são encarados como uma graduação acima dos preceitos do Antigo Testamento, uma espiritualização dos mesmos e o advento do Messias fez com que a lei mosaica fosse cumprida em seus termos mais nobres.
Assim, o discipulado cristão, torna-se dependente da obediência prestada ao Messias, que oferece a recompensa da vida eterna aos obedientes às suas palavras, encontradas nos evangelhos.
Continuo procurando...

EP. Gheramer



  • Digg
  • Del.icio.us
  • StumbleUpon
  • Reddit
  • RSS

Mar(e)Amar

Alguém certa vez me disse ter trauma de mar, medo da maré... é até fácil de entender.
Mas veio a pergunta: e trauma de amar?

Onda do mar
Maré de amar
Trauma de mar?
Não amar é o trauma!
Mar é amar
Se mar é traumar
Não o é o amar?

Imagem:http://www.designlovefest.com/



CarlosNNeves
Ago2016

  • Digg
  • Del.icio.us
  • StumbleUpon
  • Reddit
  • RSS

Viver ...Agora e Sempre!

Viver..Agora e Sempre!
Está na hora de olhar
Dentro de cada um
O nosso espírito
Nossa alma
O Coração ...

Em sintonia nosso SER
Nunca mente...
O presente é urgente
Vivê-lo consciente
Absolutamente
Atentamente
Amavelmente
Autenticamente
Amorosamente
Agora...
Sempre!
As asas da nossa inspiração,
Procuram a Luz
O Amor na Fé...
Nosso corpo...
Deleita-se com o encanto,
Paixão e a ternura
Do beijo dado
Amor...Amante
Companheiro da vida
Ou errante...não importa,
Vive-se...
Agora...Sempre!


  • Digg
  • Del.icio.us
  • StumbleUpon
  • Reddit
  • RSS

Passageiro


Matéria que passa:
- o corpo, o dinheiro, a casa...
Comida de traça!

Gilberto de Almeida
18/08/2016


  • Digg
  • Del.icio.us
  • StumbleUpon
  • Reddit
  • RSS

Dia 13 agosto 2016 – Mateus 17. 14-21 e Marcos 09. 14-29


Mateus nos conta que quando Jesus e seus discípulos chegaram junto da multidão, um homem aproximou-se de Jesus e pediu que ele curasse seu filho, pois, já havia pedido aos seus discípulos e eles não conseguiram. O evangelho de Marcos (9.14-29) acrescenta que os Fariseus e os discípulos discutiam entre eles.
Atendendo ao pedido daquele pai, Jesus curou o menino. Mais tarde, seus discípulos perguntaram a ele por que não haviam conseguido. Ao que Jesus respondeu: “Por causa da pequenez da vossa fé,” e acrescenta: “pois, em verdade vos digo que, se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a este monte: passa daqui para acolá, e ele passará. Nada vos será impossível.”.
Ora, se aqueles homens, seus discípulos que estavam durante as vinte e quatro horas do dia com Jesus, vendo todos os milagres que ele realizava não tinham fé suficiente, fico a imaginar o meu caso... Qual o tamanho da minha fé? Se a dos discípulos era tão pequena, que tamanho pode ter a minha fé que não andei fisicamente com ele? E só posso responder: nenhum tamanho, nenhuma fé...
No evangelho de Marcos, ele nos conta que o pai do menino, dirigindo-se a Jesus, disse: “se tu podes alguma coisa, tem compaixão de nós e ajuda-nos.”. Ao que Jesus respondeu: “Tudo é possível ao que crê.”. E, imediatamente o pai do menino exclamou (com lágrimas): “Eu creio! Ajuda-me na minha pequena fé.”.
Diante disso, que posso eu dizer quanto à minha fé?
- Ajuda-me a ter alguma fé (e com muitas lágrimas)!
Jesus ainda diz: “Se tiverdes fé como um grão de mostarda...”. Como um grão de mostarda! Vou para a Internet saber qual o tamanho de um grão de mostarda e fiquei espantado com o que encontrei: As sementes têm cerca de 2 mm de diâmetro... E olha o tamanho da árvore...




EP. Gheramer

  • Digg
  • Del.icio.us
  • StumbleUpon
  • Reddit
  • RSS

Veracidade


Gilberto de Almeida
13/08/2016

  • Digg
  • Del.icio.us
  • StumbleUpon
  • Reddit
  • RSS

Ciclo


Na vida, queda e luta, queda e luta!
É assim que Deus lapida a pedra bruta.
Na morte, a mesma luta, o mesmo empenho.
Ao menos é o que lembro de onde venho...

Na vida, a consciência diminuta
e a dor, a burilar-nos a conduta!
Na morte, a mesma mó, mas noutro engenho.
São estas as lembranças que retenho...

A vida, a morte... o ciclo permanente,
são aros desta roda que pressente
as trilhas do futuro e nos convida

à evolução eterna, de tal sorte
que se há, depois da vida, sempre, a morte,
depois de cada morte há nova vida!

Gilberto de Almeida
12/08/2016

  • Digg
  • Del.icio.us
  • StumbleUpon
  • Reddit
  • RSS

Cheia de Graça!


Ninguém viu até agora -
jamais - o que vemos hoje!
Meu coração quase chora
e o alento do peito foge!

O povo, no mundo afora,
que se prepare e despoje
do preconceito que mora
na alma que mora longe.

Podem dizer o que for,
podem colocar defeito,
mas o Cristo Redentor

diz que a verdade é esta:
- o brasileiro é perfeito
na hora de fazer festa!

Gilberto de Almeida
05/08/2016

  • Digg
  • Del.icio.us
  • StumbleUpon
  • Reddit
  • RSS

PARADOXOS


Sentado na beirada da cama, com a bíblia aberta numa passagem marcada do evangelho, Benjamim - instantaneamente, como num flash, num insigth - viu-se diante de uma realidade que não estava sujeita a explicações lógicas. Antes, pelo contrário, estava repleta de paradoxos e onde o maior deles era o próprio Deus e o que restou foi um enorme vazio no peito.
- Sem dúvida – pensou -, nenhum outro livro tem mais paradoxos do que este. Teve a nítida impressão de que se o sacudisse, dele cairia uma torrente de coisas inexplicáveis. Segurando-o entre as mãos, percebeu que segurava “paradoxos”, pensamentos e argumentos que contrariavam os princípios básicos e gerais que costumam orientar o pensamento humano, desafiando a opinião concebida, a crença ordinária e compartilhada pela maioria.
- Mas, o que era um paradoxo? – Se perguntou e em seguida começou a procurar uma resposta ou respostas.
- Um paradoxo é uma ideia contraditória, ou pelo menos, assim parece sê-lo, mas, também pode ser alguma ideia contrária à opinião aceita, contrária ao bom senso, ou, meramente contraditória, ou, ainda algo que pareça autocontraditório. Também pode ser uma ideia ou uma declaração aparentemente absurda, mas que, na realidade, pode exprimir uma verdade. Por último, podem ser declarações ou ideias que, efetivamente, são absurdas ou falsas, e, portanto, “inacreditáveis”.
Com as rédeas do pensamento soltas, lembrou-se de um filósofo grego místico da antiguidade que expôs o que ficou conhecido como “paradoxo do mentiroso”, que dizia: “Se um mentiroso confesso disser: Se estou mentindo, estou dizendo a verdade?”.
- Na verdade, não temos certeza sobre o que pensar então – disse Benjamim e logo se lembrou de outro que veio confundi-lo ainda mais. Este escrevera, em uma das faces de cartão: “A sentença do outro lado deste cartão é verdadeira”. Virando o cartão, achava-se a declaração: “A sentença do outro lado deste cartão é falsa”. Ora, se é assim, que cada um faça a sua escolha – disse para si mesmo.
Para Benjamim, dizendo-se que uma sentença é verdadeira é dizer que estamos concordando com uma sentença, mas, se ela exprime, realmente, uma verdade já é coisa bem diferente. E como podemos ter certeza?
As pessoas odeiam complicações que perturbem os seus sistemas e Benjamim não era diferente. Segundo ele pensava, um paradoxo nos deveria levar a fazer a seguinte admissão: Lamento, mas não sei como dar uma resposta lógica e isenta de dificuldades a este problema.
A dificuldade é que aqueles que se dedicam à ciência ou estudo que se ocupa de Deus, de sua natureza e seus atributos e de suas relações com o homem e com o universo não gostam de fazer tal admissão. E alguns são extremamente arrogantes acerca de seus sistemas, reduzindo sua teologia em humanologia – pensava Benjamim.
Por outro lado, alguns estudiosos assumem a tarefa de mostrar que os paradoxos não são autocontraditórios. Mas eles só conseguem convencer a si mesmo, e a seus alunos particulares.
Andando de um lado para o outro, entrando e saindo de todos os cômodos da casa, ao mesmo tempo em que pensava, falava.
- Enquanto eu não for vastamente mais inteligente do que sou agora, e enquanto meu conhecimento não for quase infinitamente superior do que é atualmente, não poderei escapar desses paradoxos. A linguagem humana não pode reduzir verdades a proposições perfeitamente lógicas. Este é um pensamento por demais absurdo para merecer a minha consideração. Há experiências espirituais que ultrapassam as categorias da intelecção humana, sendo experiências que não se pode nomear ou descrever em razão de sua natureza, força e beleza; que não podem ser expressas em termos da linguagem humana.
Qualquer tentativa para explicar o Mysterium Tremendum que é Deus, automaticamente envolve-nos em uma série de paradoxos... Deus é pessoal ou impessoal? e como? Deus é infinito, mas manifesta-se no finito? e como? Qual a síntese verdadeira desses problemas acha-se na Mente divina, mas não na humana? Os homens têm teses e antíteses. Para efeito de harmonização, as teologias sistemáticas ignoram alguma tese ou antítese. Mas não são capazes de elaborar uma síntese apropriada.
Além disso, ele não aceitava as explicações antropomórficas que os homens oferecem, na tentativa de explicar Deus. Tais explicações expõem um super-homem, e não um Ser transcendental. Mas, nenhum de nós realmente compreende a infinitude...  E o que fazemos? Usamos essas palavras para esconder nossa ignorância com declarações aparentemente profundas.
O mesmo acontece quando falamos sobre o espírito. Sabemos que se trata de algo bem diferente da matéria, mas não podemos apresentar boas definições nem da matéria e nem do espírito. E em seguida, quando procuramos dissertar sobre o Espírito Absoluto, ficamos essencialmente vazios de descrições; e mesmo quando se consegue balbuciar alguma coisa, isso fica muito aquém da realidade dos fatos. Somente aqueles que são ingênuos não conseguem reconhecer essas dificuldades.
Saímo-nos um pouco melhor quando falamos sobre o homem. O homem é espírito e matéria. E mesmo assim, a experiência humana e o misticismo, de um modo geral, têm-nos dado mais descrições sobre os homens do que sobre o Ser Divino. E o nosso conhecimento científico não tem contribuído grande coisa para dispersar os mistérios que circundam o ser humano, a sua origem, a sua vida presente e o seu destino.
Aquele livro falava sobre o Deus-homem encarnado, chamado Cristo, em sua missão messiânica. Para Benjamim, isso constitui um paradoxo e algo que somente pode ser aceito mediante a fé... De alguma maneira inexplicável, o divino e o humano fundiram-se em um único ser, Cristo Jesus. Mas até hoje ninguém descobriu uma maneira muito inteligente de descrever essas duas naturezas, tão diferentes entre si, que podem coexistir em uma única pessoa. Os estudiosos têm lutado muito para prover algumas úteis definições; mas é apenas a tentativa de explicar o inexplicável.
E quanto ao problema do determinismo versus livre-arbítrio? A questão é a relação entre essas duas realidades. Na história eclesiástica vemos denominações separando-se de outra em torno dessa questão. Há grupos ferrenhos defensores do divino determinismo e há outros que morrem pelo livre-arbítrio humano. Mas, a verdade é que as Escrituras ensinam ambas as coisas, mas nunca tentam reconciliar esses dois conceitos.
Assim, o determinismo é a tese; o livre-arbítrio a antítese. E constitui um autêntico suicídio espiritual quando alguém simplesmente elimina uma face dessas facetas da verdade revelada.
Ouve-se muito falar que indivíduos não espirituais vivem uma polêmica ignorante constante. Mas aqueles que, pela fé, aventuram-se a dar o salto no escuro, para descobrir a verdade, deleitam-se com aquilo que descobrem.
Quanto à síntese desse paradoxo, para Benjamim ela só pode existir na Mente divina. Naturalmente, é possível que, conforme espiritualidade do homem for crescendo, talvez enquanto ainda mortal (mas muito mais certamente quando já tiver recebido a imortalidade), que certos paradoxos venham a ser solucionados. Mas, antes disso, as soluções fabricadas deixavam Benjamim espiritualmente faminto.
Por causa da diversidade e complexidade da realidade e também em face das limitações da finita e presunçosa razão humana de conhecer o bem e o mal, os melhores esforços do homem para vir a conhecer a realidade, levam-no tão-somente a produzir verdades igualmente razoáveis (ou aparentemente razoáveis), posto que irreconciliáveis (ou aparentemente irreconciliáveis).
Nesses casos – pensava Benjamim -, os homens aproximam-se mais da verdade quando defendem ambos os lados de qualquer questão paradoxal, em vez de defenderem apenas um lado ou outro da mesma questão.
Os homens geralmente buscam mais o consolo mental do que mesmo a verdade, ainda que a maioria não reconheça isso. Contudo, o consolo mental jamais será equivalente à verdade.
Alguém já disse: “Creio porque é absurdo!”. Com isso, ele quis dizer que é uma estupidez de nossa parte supor que a verdade divina precisa corresponder ao nosso raciocínio humano. É verdade que há verdades assim; mas há verdades que estão acima do nosso alcance!
Os paradoxos ocupam posição proeminente nos escritos de certos autores, que têm percebido a inevitabilidade dos paradoxos.  Deus infinito, que vive fora do tempo e que não pode ser sondado, estendeu a mão à mente humana, que é finita, limitada e vive dentro do tempo. Era o que Benjamim depreendia da leitura daquele livro.
Sendo assim, somente os olhos da fé são capazes de divisar algo, onde o intelecto falha totalmente. A fé tateia a verdade real em ideias e circunstâncias; e essa fé – e apenas ela - compreende que somente a Mente divina tem a síntese dos paradoxos. E isso significa que essa síntese está à nossa disposição? Dizem que talvez não para esta vida, não para o homem ainda em sua mortalidade – tal crença Nietzsche chamou de “muleta metafísica”.
No entanto, muitos intérpretes, quanto a questões críticas, reconhecem apenas um polo, quando há dois: o lado divino e o lado humano.
Benjamim acreditava que o homem que reconhece os “opostos” quanto a certas verdades fundamentais e procura expor descrições sobre ambos, talvez com alguma tentativa de reconciliação, é um homem que estará mais perto da verdade do que aquele que apresenta uma boa descrição sobre um só dos polos, mas ignorantemente supõe que esse polo não tem o seu oposto natural.


No mais, deixamos aqui escrita a passagem que deu origem a todas essas reflexões em Benjamim; ela encontra-se em Mateus, capítulo vinte e dois, versículos de trinta e sete a quarenta.

“Respondeu-lhe Jesus: Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu
coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Este é
o grande  e primeiro mandamento. O segundo, semelhante a este,
é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois
mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas.”

O que mais podemos dizer ainda sobre nosso herói? Benjamim buscara a Deus, e, finalmente, entregara sua alma a uma direta comunhão com Deus, e não tanto a uma abordagem meramente intelectual.


EP. Gheramer










  • Digg
  • Del.icio.us
  • StumbleUpon
  • Reddit
  • RSS

Publicações populares