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Tende o amor

Tendem o corpo e a alma ao sepulcro.
O olhar dotado do acaso sem escrúpulos
Viajando ao além... se arrefecendo aos poucos,
Criando mundos que não são compatíveis, mas
Que são seus, que são únicos. 

Consoante a uma ampulheta fria e calculista,
As mãos se vão distanciando... Cria-se um mar. A
Sublimação dantes eviterna e fascinada
Torna-se esquálida,  alimentada
Pelo  próprio dissabor.

Faz-se vivo a brecha, o instante, o momento...
Onde o coração não mais se acalenta. Esfriou-se.
As simulações fazem faces, fazem beijos,
Fazem entregas, todas falsas, todas dotadas
De amargura.

E no fim qual a verdade? Qual a real ventura?
Todos os homens são falsos... Todos os pensamentos
São vagos, estão, enquanto se diz eu te amo,
Em outras desventuras.

Josué da Silva Brito 

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Ensaio sobre a loucura

Composição Vii - Petróleo Por Wassily Kandinsky 

O homem sendo a materialização do desejo e a transfiguração do fazer pode ser classificado em duas palavras, que em partes são sinônimos: amor e loucura. A loucura fez do homem capaz de amar, deu a ele a determinação insana e irracional pela conquista e pelo auto sacrifício. O amor tornou o homem louco, capaz de transcender o ambiente racional e conceber as mais tenras ilusões juvenis.
O amor e a loucura juntos deram ao homem a criatividade, a luta e o ar selvagem que ainda permanece vivo no perfume de raça estranha. Ao homem o amor, à loucura o homem.
Durante séculos o amor, o homem e a loucura caminharam em harmonia, criando um ambiente de profunda criação, ética e humanidade.
Alguma coisa, porém deu errado no tempo. De alguns homem se apropriou a loucura, enquanto de outros, o amor. O amor e a loucura não mais como unha e carne, mas como rivais em busca da conquista de seguidores. Eis, então, a origem dos tresloucados do século atual.
O amor desligado da loucura criou uma loucura impalatável. Homens loucos pelo dinheiro, pela glória, pelas guerras... Verdadeiros animais insanos pelas próprias conquistas vazias. Já os que foram dominados pelo amor e não possuem loucura se tornaram silentes, desaparecidos entre a calamidade, como se fossem apenas mais um elemento do caos.
Os homens de outrora que amavam a loucura e dela tinham meio para o amor simplicissimamente se reduziram a lembrança. São alguns poucos e modestos poetas que ainda acreditam em ideias e na ordem do destino. São, entretanto, tão raros e esquálidos que fazem menos diferença que o aljôfar nos olhos de uma dama em um mundo de insensíveis.
O equilíbrio, não obstante, ainda se encontra com o surgimento de novos homens. Uma casta nem superior, nem inferior, apenas diferente. A nova categoria de homens não se domina pelo amor ou pela loucura. São indomáveis. Não são atores da peça que se encena em um universo repetitivo. São observadores. Sem poder para impedir o desastre da guerra entre o amor e a loucura, essa casta se reserva a prevê o que virá. São observadores implacáveis e mais ainda são contadores daquilo que observam. Essa nova geração que se desprendeu da polarização inútil e inglória se denomina escritores...


Josué da Silva Brito 

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